Droga Raia

Twitter Facebook Flickr Orkut Delicious RSS
dê uma nota para esta matéria:
Compartilhe:

amar

Juntos outra vez

Nada está perdido. Se ainda fizer parte das suas memórias, tudo pode ser reencontrado. E, ainda que reunidos apenas por um instante, pode começar uma nova história
Texto: Ana Luísa Vieira e Rita loiola, com reportagem de Flávio Carneiro, Jéssica Martineli, Juliana Dias e Tissiane Vicentin
AumentarDiminuir

Reencontrar o que amamos faz o tempo parar. De repente, com a respiração suspensa e os olhos maravilhados, não há mais segundos, horas, anos. Ao rever algo ou alguém querido, tudo fica congelado, no tempo eterno do encontro. O coração pula, as palavras engasgam, o sorriso se abre. Voltamos a ser crianças, filhos, irmãos, amantes, entendemos mais do que passou. Pode ser um parente distante, uma lembrança do tempo que se foi. Uma música que traz de volta o amor antigo. Alguém que faz lembrar quem éramos e mostra o que somos hoje. Às vezes, é por acaso. Ou planejado e aguardado por meses. Mas, quando acontece, é sempre uma descoberta. Como o dinheiro esquecido no bolso que, quando é resgatado, nos deixa ricos por um dia. Como ter de volta algo importante, que faz a vida mais bela e feliz. São histórias assim, recheadas de emoção e carinho, que você lê a seguir. Afinal, se há tanto desencontro nessa vida, nada melhor que celebrar os reencontros.

 

Sabe aqueles chatos que importunam as meninas na escola? Dos 9 aos 14 anos estudei com um desses. Lembro-me de quando ele me pediu uma caneta e emprestei a mais legal que eu tinha. Não é que voltou toda quebrada? Chorei de ódio. Aos 20 anos, na saída do cursinho, ouvi alguém me chamar. Pois era ele! Dessa vez, ficamos amigos. E vamos nos casar em breve.
Vanessa Lima, 25 anos, São Paulo (SP).

 


Depois de seis meses de namoro à distância, Ana temia que Rubem tivesse mudado. De diferente, só o corte de cabelo. O amor ainda era o mesmo

 

Fazia um tempo que eu e o Rubem namorávamos quando decidi fazer um intercâmbio em Portugal. Foram seis meses difíceis, de muito choro on-line. Ao final do curso, ele resolveu ir à Europa. A ansiedade e o medo eram enormes - afinal, tudo poderia estar diferente, eu, ele, os sentimentos... Fui buscá-lo na estação e esperei um bom tempo até vê-lo saindo do vagão. De fato, ele havia mudado: tinha raspado o cabelo. Mas o sentimento era o mesmo. Foi aquela cena de cinema, tudo em câmera lenta, os passos, o abraço, o beijo. E continuamos juntos até hoje.
Ana Carolina Xavier, 24 anos, São Paulo (SP).

 

Depois de esperar mais de 50 anos, realizei o sonho de reencontrar minha irmã mais nova, a Juridete. Nós nos separamos quando eu me casei e mudei de cidade. Sempre mandava cartas, mas a correspondência começou a retornar. Voltei a Castro Alves, no interior da Bahia, para descobrir o que estava acontecendo. E descobri que a Juridete havia ido embora. Por causa do trabalho do meu marido, pelas décadas seguintes mudamos de cidade muitas vezes, e perdemos totalmente o contato. Mas nunca deixei de acreditar que voltaríamos a nos ver. Sem uma saber da outra, ambas anunciamos nossa história em rádios, na televisão, na internet. E foi por um programa de TV que nos achamos. Primeiro, pelo telefone. E, em maio de 2010, ela veio me visitar. Foi a maior bênção na minha vida.
Bernadete da Silva, 70 anos, Barueri (SP).

 

Eu e o André, meu melhor amigo, tínhamos grandes afinidades: fazemos aniversário no mesmo dia, adoramos esportes e somos fanáticos pelo Inter. Quando decidimos montar um bar juntos, no meio da burocracia da documentação, a mãe adotiva dele desconfiou que poderíamos ser irmãos, por causa do meu sobrenome. Com a certidão de nascimento original dele, a teoria ficou comprovada. O André então descobriu quem era sua mãe biológica, que nos trouxe ao mundo. E, para mim, foi uma alegria sem tamanho descobrir um irmão que já era meu amigo.
Tiago Pinto, 30 anos, Panambi (RS).

 

A manhã de 15 de agosto de 2009 foi inesquecível. Sob o azul do céu de Chapada dos Guimarães, em Mato Grosso, subi ao altar para dizer “sim” ao homem da minha vida. Foi o dia mais feliz, intenso e emocionante que já vivi - e ele se tornou completo quando vi, entre os convidados, minha meia-irmã, filha do meu pai, que faleceu há 13 anos. Quando ele partiu, foi-se também o elo que me conectava aos irmãos mais velhos. Perguntei a ela: “Você viu a foto do pai no meu buquê? Ele também me guiou ao altar”. Em resposta, recebi um abraço tão apertado que foi como se, naquele momento, ele estivesse ali, compartilhando conosco a alegria do reencontro.
Andreia Brasil, 25 anos, São Paulo (SP).




No fundo de um armário, Daniela reencontrou a máquina do pai, morto quando ela tinha 8 anos. Através daquela lente teve início sua carreira de fotógrafa

 

A fotografia era a paixão do meu pai, que mantinha até um laboratório dentro de seu consultório médico. Tenho viva a lembrança dele com a sua câmera. Um de seus retratos sou eu, pequenina, segurando a capinha da máquina. Quando ele morreu, eu tinha 8 anos, e minha mãe doou todo o equipamento do consultório. Eu ainda não sabia, mas, por sorte, ele guardava a câmera em casa. E foi dentro de um isopor, no fundo de um armário, que a descobri anos depois, quando precisei de uma máquina para um trabalho da faculdade de arquitetura. “Uau! Tenho uma câmera para fotografar!”, pensei na hora. Mandei limpá-la e fiz meu trabalho final do curso com ela. Mas o reencontro me levou mais longe: acabei virando fotógrafa - e acho que realizei um sonho do meu pai.
Daniela Toviansky, 33 anos, São Paulo (SP).

 

Meu pai veio da Alemanha para o Brasil quando tinha 7 anos. O tempo passou, eu me casei, tive filhos e meu pai morreu. Estudando na Europa, minha filha  conheceu a cidade do avô, Colônia. Quando eu e meu marido fomos para sua formatura, ela nos levou para passear por lá. Durante o almoço, em um  restaurante à beira do Reno, lembramos muito dele: pensamos se ficaria feliz por termos ido conhecer sua terra natal e se seria possível ele estar nos vendo naquele momento. Foi aí que um músico chegou com seu violão e tocou Dolannes Melodie, a música predileta de meu pai. Talvez essa tenha sido a forma que ele encontrou para nos responder.
Maria Engels, 56 anos, Guarulhos (SP).

 

Em 1998, embarcamos à Sicília, na Itália, terra natal do meu pai, a convite dele. A princípio, parecia um passeio normal. Mas a calorosa recepção dos amigos e primos italianos mostrou que essa vez seria especial. Fomos para Aragona, onde meu pai nasceu, em 1926, e ficamos hospedados em um apartamento que meus tios reservaram para nós. Cada dia conhecíamos melhor a cultura, os valores, a comida e as pessoas. Eu e meu irmão entendemos muita coisa de nossa vida. Nunca mais esqueceremos o reencontro com as nossas origens.
Rosana Spoto, 46 anos, Campinas (SP).

 

Passei as horas anteriores ao jogo me preparando para ser vaiado. Em 1993, eu estava no Flamengo e era a primeira vez que enfrentaria o Corinthians no Pacaembu. É normal um jogador ser hostilizado no reencontro com a torcida de seu ex-clube. Por isso, fiquei desnorteado quando entrei em campo e ouvi o coro dos torcedores da Fiel: “Doutor, eu não me engano, o Casagrande é corintiano”. Até hoje a lembrança me arrepia. Não consegui mais jogar aquela partida. No dia seguinte, pedi para sair do Flamengo. E, dois meses depois, estava de volta ao Timão.
Walter Casagrande Júnior, 48 anos, São Paulo (SP).

 

Terminei um namoro de oito meses sem dar muitas explicações. Na época, enfrentava desafios profissionais e pessoais e não soube lidar com tanta coisa. Descontei nele minha imaturidade e me culpava por isso. Depois de dois anos e meio, segui o conselho da minha psicóloga e liguei para meu ex. Ele aceitou me rever, e pude expor o que não foi dito quando terminamos. Foi uma conversa muito boa, apesar da emoção e do arrependimento por perder alguém tão especial. Meu coração ficou menos culpado, e aprendi que os reencontros podem ser a chance de nos perdoarmos e sermos perdoados.
Adriana Santos, 24 anos, São Paulo.

 

Sempre me reúno com amigas do primário para pôr o papo em dia. Em um desses encontros, em um haras, levamos fotos do colégio. Uma delas era de quase 50 anos atrás, da turma da 4ª série, com a querida professora que me ajudava nas lições. Tomei um susto quando olhei para o lado: ela estava lá! E me reconheceu! A professora Isolda estava no haras porque é parente distante da dona. Foi ótimo saber que ela está bem, com filhos e netos, e também foi muito bom contar que virei professora, como ela. Carrego até hoje muitas das lições aprendidas naquela época.
Walkiria Ribeiro, 62 anos, Guarulhos (SP).

 

Por causa de muitas mudanças de casa, perdi um quadro que um amigo tinha feito para mim. Não o encontrava de jeito nenhum e estava aflita. Ele morreu em 2006 e aquela era a mais linda recordação que eu tinha. Em março deste ano, a viúva dele encontrou a tela escondida num quartinho da casa onde ele morava. Por alguma razão, guardei a peça lá para não perdê-la. Chorei de felicidade ao reencontrá-la.
Débora Toledo, 32 anos, São Paulo (SP).

 

Fiz opções erradas ao me casar muito jovem, aos 17 anos, por falta de coragem de terminar o noivado. Por isso, não consegui concluir a faculdade de letras. Minhas filhas sofreram as consequências - e eu, as dificuldades - de um casamento ruim. Por isso, o maior reencontro que tive foi comigo mesma, quando consegui me divorciar depois de 20 anos. Assumi a responsabilidade, consertei o que podia ser consertado, voltei a estudar e perdoei a mim mesma por esses erros. Finalmente encontrei a paz necessária para seguir em frente e, hoje, sou uma pessoa feliz.
J.S., 49 anos, SP.

 

Eu e o César namoramos de 1990 a 1992. Quando nos separamos, ele sumiu, eu sofri, emagreci... Seis anos depois, uma música que tocou no ônibus me fez lembrar dele. Decidi ligar pela última vez. Caiu na caixa-postal. Deixei um recado e fiquei triste, na certeza de que ele não retornaria. Mas o telefone tocou no dia seguinte. Era o César, pedindo o endereço do meu trabalho para ir me buscar. O tempo demorou a passar, parecia que o expediente não acabava nunca. Mas na hora marcada lá estava ele na saída. Conversamos muito e, naquela noite, ele me pediu em casamento. Aceitei na hora. Hoje, temos uma família linda, dois fi lhos gêmeos e logo comemoramos 13 anos de casados.
Simone Leme, 35 anos, São Paulo (SP).

 

VEJA MAIS:

Confira mais relatos emocionantes de reencontros clicando aqui

dê uma nota para esta matéria:
Compartilhe:
Envie seu comentário:
Nome (preenchimento obrigatório)
E-mail (preenchimento obrigatório, mas não será publicado)
Website
Realização:
Patrocínio:
Instituições beneficiadas:
Medley P&G Kimberly-Clark Reckitt Benckiser EMS
EDITORA MOL Rua Andrade Fernandes, 303, sala 3, Alto de Pinheiros, São Paulo / SP | Email: contato@revistasorria.com.br | Telefone: (11) 3024-2444
2009 - 2010 Editora Mol. Todos os direitos reservados