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Lá vem o sol

Em cultos antigos, como a religião egípcia, o Sol era o mesmo que deus. Naquela época, pouco se sabia sobre a incrível bola de fogo que brilha no céu. Mas o que a ciência descobriu nos séculos seguintes confirma o julgamento dos nossos antepassados. Se Deus criou e continua nos oferecendo o dom da vida, nada mais certo que chamá-lo de Sol. Já ouviu falar daquela história de que somos pó de estrelas? Não é força de expressão. Quando o Big Bang criou o universo, só existiam dois elementos químicos: o hidrogênio e o hélio. Todos os demais, incluindo o carbono, que é a base do nosso corpo, o ferro, que circula pelas nossas veias, e o oxigênio, que a gente respira, foram formados dentro de estrelas, como o Sol. Quando elas explodem, espalham esses átomos pelo cosmos, e foi assim que eles vieram parar aqui na Terra. Além disso, a energia que nos mantém de pé também é estelar: graças ao Sol, as plantas conseguem realizar a fotossíntese, que produz o açúcar que alimenta todos os animais, inclusive a gente. Esse milagre científico só acontece porque o Sol está num local preciso: nem perto demais a ponto de nos queimar, nem longe o bastante para nos deixar congelar. E, caprichosamente, ele ainda varia essa posição no decorrer do ano. No verão, sentimos toda sua potência, saímos de férias para melhor aproveitá-lo, lotamos as praias para absorvê-lo. No inverno, manhoso, ele nos faz sentir saudade, valorizar cada nesga iluminada, sonhar com a primavera que o trará de volta, enchendo novamente a paisagem de calor e vida. Não é preciso nenhuma religião, nenhuma doutrina para admirar essa beleza. E, mesmo que a gente não lhe preste o devido credo, como um deus generoso o Sol nascerá novamente, a cada dia, para todos, levando luz a todo lugar.


















































