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Médico dourado

O doutor Joe Spencer Wood Gold chega ao GRAACC, como sempre faz às quintas-feiras, e toma o elevador rumo ao 2º andar do prédio. Famoso e respeitado por ser o único com autorização no hospital para aplicar a inovadora técnica de tratamento em que é especialista, ele não consegue passar despercebido. Alguns funcionários não resistem: estendem a mão e fazem um cafuné em sua cabeça. Não raro, ele responde com uma lambida.
Com seu tradicional casaco de pelos dourados, que ele faz questão de escovar diariamente, o doutor Joe adentra a Quimioteca, colorida sala repleta de brinquedos onde os pequenos pacientes o aguardam. “A Bruna não vê a hora de encontrá-lo. É o ponto alto do dia dela”, conta Adriana Araújo Nunes, enquanto a filha troca um aperto de mão com Joe. Vítor, de apenas 1 ano e meio, é outro que não se contém: dá pulos na cadeira, não deixa o sorriso fechar por um instante sequer e mantém o dedão em riste, fazendo sinal de positivo para o doutor.
Com tanto sucesso, fica difícil acreditar que Joe nunca frequentou a faculdade de medicina. Nem daria tempo: ele só tem 5 anos. Mas desde os 2 trabalha na área de saúde, no projeto “Joe, o amicão e os cãopanheiros”, idealizado pelas irmãs Luci e Ângela Lafusa, suas donas. Por praticarem trabalho voluntário e notarem que o cão era extremamente dócil e companheiro, elas resolveram conceder a ele o diploma de cão terapeuta. “Tivemos a ideia após assistir a um documentário sobre animais que ajudavam no tratamento de pessoas doentes. Resolvemos criar a versão brasileira do projeto”, conta Luci.
O primeiro passo foi o adestramento, que serviu para desenvolver a obediência e a atenção no golden retriever. “Outra exigência dos hospitais era em relação à limpeza. Por isso, Joe tem os pêlos escovados diariamente e os dentes limpos três vezes por semana, além de tomar banhos semanais e fazer visitas regulares ao veterinário”, diz Luci.
A rotina do doutor canino é agitada: além do hospital e da casa de apoio do GRAACC (onde ficam hospedados as crianças e os adolescentes em tratamento vindos de fora da cidade de São Paulo), ele visita semanalmente outros dois hospitais. “É muito gratificante. Ele muda o ambiente, a gente vê alegria no rosto das crianças”, conta Luci. Comprando Sorria, você colabora para que mais crianças possam ter a bochecha lambida por Joe. Obrigada!

















































