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Mergulho livre

Respingou em você, não tem mais jeito: caia na água com a gente e renda-se ao ambiente mais divertido e refrescante para movimentar o corpo no verão: a piscina!
Texto: Daniela Marques // Fotos: Rogério Cassimiro e Valdivo Pereira // Assistentes de fotografia: Leandro Moraes e Bruno Poletti
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A pequena chácara do meu avô era o destino certo em qualquer oportunidade que eu, meus irmãos e primos tínhamos para nos reunir. Por anos, o local não passava de um pedaço de terra que virava um lamaçal com as chuvas. Aí, a diversão ficava por conta da nossa “Fábrica de Chocolates Barroso”, uma criativa linha de produção de tortas de barro. Se já era um barato quando não havia estrutura nenhuma, imagina a alegria quando ficamos sabendo que o sítio teria uma piscina!

No dia em que o caminhão parou na rua com todo o material de construção, ficamos incontroláveis. Foi um tal de criança correndo, carregando terra e se metendo a ajudar que os pedreiros se compadeceram: empenhados, concluíram o serviço muito antes do previsto. Na noite em que deram os toques finais, fomos dormir com a roupa de banho por baixo do pijama, sonhando com o primeiro mergulho. E o verão de 1986 nunca mais saiu da nossa memória.

Quando crescemos, nosso comedimento tende a tornar campeonatos de barrigadas e mergulhos-cambalhota apenas boas lembranças. Mas a água sempre será um convite ao movimento e à diversão, principalmente nos dias em que o sol não perdoa. Então, aproveite o verão para cair dentro! Damos um empurrãozinho contando três histórias de quem vê na piscina o lugar perfeito para praticar seus esportes favoritos. Confira!

 



Estripulias refrescantes

Na piscina, Yago Florêncio, de 14 anos, se transforma em um tubarão. Nadando por baixo da água, ele persegue a irmã Gabriela, de 11 anos. Quando é encurralada, ela vira a predadora. O pega-pega aquático é apenas uma das brincadeiras que eles inventam nas piscinas do Sesc Pinheiros, em São Paulo. Até chegar lá, a dupla leva uma hora de ônibus, desde a cidade de Taboão da Serra, na região metropolitana, onde moram. A companhia faz valer a pena: “Em casa, ele fica com os amigos dele, e eu com as minhas. Aqui a gente fica mais junto”, explica a pequena. Na mesma piscina, o casal Maurício Kimura, de 37 anos, e Maya Hasegawa, de 31, também curtem um momento em família. Há algumas semanas, eles levam o pequeno Nickolas, de 10 meses, para dar suas braçadas. Agitado, ele quer mergulhar a qualquer custo. “É o que ele mais gosta de fazer: colocar toda a cabeça dentro da água”, conta o pai. Os instrutores estão sempre por perto, mas cada um se diverte à sua maneira. O brinquedo favorito de Lucas Malaquias (na foto), de 6 anos, são os tapetes de borracha em forma de bichos. “Eu gosto de subir nesse peixe e mergulhar. Também gosto de deitar e boiar. Às vezes, até durmo”, conta o garotinho. A companheira de arte é sua prima Ana Luiza Santos, de 1 ano e 7 meses: “Faço cosquinha na barriga e ela dá muita risada!”. Magali Santos, de 21 anos, mãe de Ana Luiza, olha para os dois e se lembra do tempo de criança: “Minha brincadeira favorita dentro da água era plantar bananeira”, recorda, com um sorriso no rosto.

 



Invenção cinematográfica

Quem assistiu ao filme Entrando numa Fria certamente deu risada quando Ben Stiller acerta uma bolada no nariz de Nicole DeHuff. Mas ninguém ficou mais emocionado do que o advogado Dario Miguel Pedro. Quando os amigos o avisaram de que a produção de Hollywood continha uma cena em que os personagens jogavam biribol, ele quase chorou de emoção. É que Dario, de 75 anos, morador de Birigui (SP), foi quem inventou esse esporte. A ideia surgiu nos anos 1960, nos churrascos que um amigo costumava organizar em casa. Fã de vôlei e natação, o jovem Dario pensava numa maneira divertida de unir as modalidades, aproveitando a piscina que estava ali, à disposição. Assim, ele criou as regras do esporte, registradas oficialmente em 1968. Inspirado pelo calor de Birigui, Dario chamou a prática de frescobol. “Mas já existia um esporte com esse nome... Então, decidi homenagear minha cidade, e daí surgiu a palavra biribol”, lembra. Hoje, o esporte conta com uma liga nacional. E Dario, que pratica pelo menos três vezes por semana, não deixa de ressaltar suas vantagens: “O biribol trabalha a impulsão, o mergulho e a locomoção dentro da água, meio que minimiza os impactos. Sem contar que você interage e faz amigos”. Há alguns anos, seu neto, que fora estudar nos Estados Unidos, lhe telefonou animado dizendo que uma de suas colegas era praticante de biribol. “Ela nem imagina que o avô do amigo dela é o criador do esporte”, orgulha-se Dario. “Depois do meu casamento e do nascimento dos meus filhos, essa invenção foi a coisa mais maravilhosa que aconteceu na minha vida. É o que me mantém vivo!”





Academia submersa

Aprimeira aula de Denise do Amaral numa piscina não foi lá tão entusiasmante. “Eu tinha 10 anos. A água estava um bloco de gelo. O professor me pediu para mergulhar na parte mais funda e ficou na beira, segurando um cano de metal. Se eu tivesse medo, deveria me segurar naquilo”, lembra, bem-humorada. Mas a experiência não foi traumática. Muito pelo contrário. Denise, hoje com 45 anos, tornou-se professora de educação física, especializada em hidroginástica. Sempre à procura de novidades, ela pratica e oferece aos alunos uma série de modalidades. “Tem o hidro-triátlon, por exemplo, que compreende natação, corrida e bicicleta, tudo dentro da água, e o acqua-pilates, que é o pilates submerso”, conta. Para se atualizar, Denise sempre participa de congressos no exterior, normalmente acompanhada da colega Vera Gonçalves, de 51 anos, coordenadora da equipe de hidroginástica do Esporte Clube Pinheiros, em São Paulo, da qual Denise faz parte. As duas ficam empolgadas com os resultados dos pupilos. “Tive uma aluna que, quando chegou à academia, mal conseguia andar por causa das dores no joelho”, conta Vera. “Seis meses depois, estávamos indo para o estacionamento e ela me disse que precisava mostrar uma coisa. Então começou a descer a escada, degrau por degrau, o que para ela era uma grande conquista”, completa. As duas concordam que a função do educador é melhorar a vida dos alunos. “Quando a pessoa se sente bem dentro da água, só tem a ganhar”, conclui Denise.

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