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Meu amigo computador


Foi o computador que fez Lucas Custódio gostar de ler. Curioso, o garoto de 16 anos adorava usar o equipamento na casa dos parentes ou em lan houses. Passava horas na internet traduzindo artigos em inglês para descobrir códigos de jogos e softwares. Virou um jogador de primeira – e ficou fera no inglês e na interpretação de textos em português. “A leitura me ajudou a organizar as palavras e a escrever bem”, diz Lucas, que é de Mogi Guaçu (SP).
A introdução dos computadores na vida do garoto deu a ele o primeiro lugar no programa SuperAção Jovem, em 2007. Com as informações que pesquisou na internet, Lucas conseguiu desenvolver dois projetos. Um foi fazer uma horta em um espaço inutilizado da escola, e o outro, uma campanha de doação para a biblioteca, que estava sem uso.
A facilidade com as teclas e o mouse faz, agora, com que ele passe a maior parte do dia em frente à tela, na sala de informática do colégio. De manhã, dá suporte aos professores durante as aulas e cuida da manutenção dos computadores. E à noite volta para a sala de aula, mas, dessa vez, como aluno.

Quando crescer, Isaac Ribeiro vai ser atacante de um grande time. O Corinthians, de preferência. Mas, enquanto o garoto de 12 anos não chega lá, ele vai driblando os adversários com o futebol do videogame. Há um ano e meio em tratamento para vencer a leucemia no GRAACC, Isaac fez do computador seu melhor amigo. Além do futebol, bate papo em chats e busca as canções de suas bandas preferidas.
Para ele, a tecnologia é uma porta para aprender e se distrair no hospital. Nos dias em que ficou internado na UTI, ele conheceu o iPad. Brincou e arrastou com os dedos as peças no jogo de dominó. O equipamento começou a ser usado no GRAACC em novembro do ano passado. São dois para os cerca de 300 pacientes.
Como ainda não pode voltar à escola, o garoto também estuda com a ajuda do tablet. É que os professores do GRAACC usam a tecnologia para as aulas. Mas é só a obrigação acabar que ele volta para a parte divertida da informática. “Gosto de escutar os pagodes do Exaltasamba no computador”, diz Isaac. “Passo um tempão ouvindo som.” Parece que, além do futebol, ele treina para virar craque na música.


















































