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Muda-se o terreno

Conheça histórias de vizinhos que transformaram áreas verdes degradadas em espaços que oferecem alimento, lazer e beleza à cidade onde vivem
Texto: Dilson Branco e Tata Dias // Ilustração: Clayton Júnior
Muda-se o terreno
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A área de mil metros quadrados, ao lado de uma creche, em Curitiba, estava tomada por entulho. O administrador Francisco Cortés, de 53 anos, e um grupo de três amigos decidiram mudar o cenário. E se o terreno virasse uma horta? O proprietário autorizou. A prefeitura deu apoio técnico e insumos. Os amigos reuniram outros voluntários, limparam a terra e chamaram as crianças da creche para plantar. Dois anos depois, a horta dá couve, cenoura, beterraba, tomate... tudo sem agrotóxico. Além de almoços fresquinhos e saudáveis, a meninada ganhou uma divertida sala de aula ao ar livre, onde uma vez por semana treinam a arte de cultivar.

Em São Paulo, lojistas e moradores da Rua Mateus Grou perceberam que tinham dois problemas: uma área abandonada transformara-se em depósito de lixo e ponto de uso de drogas e não havia espaço de lazer na vizinhança. A solução foi uma só. Buscaram patrocínio, obtiveram na prefeitura a concessão do terreno e transformaram o local numa praça. Desde 2002, a área conta com quadras esportivas, um anfiteatro, parquinho, área de contemplação e muito verde.

Na favela Vila Alemoa, em Santos, a mudança foi parecida. O que antes era lixão e estacionamento de caminhões virou um parque com playground, anfiteatro, horta de plantas medicinais e um canteiro com flores e mudas. A metamorfose foi operada por 200 moradores, estimulados pela energia de um grupo de jovens ligados ao Instituto Elos, organização não governamental que impulsiona a transformação de áreas carentes pela própria comunidade.

Você conhece um terreno baldio que precisa passar por uma revolução como essas? Então veja a seguir como essas histórias aconteceram e saiba como tornar sua cidade mais útil e bonita.

1. ideias para um ex-matagal
Para decidir o que construir, o importante é levar em conta as necessidades da vizinhança. Na Vila Alemoa, os jovens do Instituto Elos passaram de casa em casa perguntando aos moradores o que eles sonhavam em ver no terreno abandonado. Já a associação de moradores da Rua Mateus Grou, a Amateus, em São Paulo, elaborou uma concorrência para escolher o melhor projeto. Optaram por uma proposta com opções de lazer para todas as idades. Além disso, houve preocupação com o meio ambiente: “Utilizamos um piso que permite a drenagem da água e evita a impermeabilização do solo”, explica o arquiteto responsável, Eduardo Cabral.

2. Mãos à obra
O fundamental nessa hora é unir forças. Muita coisa pode ser feita pela própria comunidade, com pouco dinheiro. A Vila Alemoa apostou na criatividade: o muro de escalada, por exemplo, foi feito com pneus usados. Na horta de Curitiba, houve apoio da prefeitura – algumas cidades têm projetos de estímulo a cultivos comunitários, como o Nosso Quintal, na capital paranaense, o Pró-Pomar, em Belo Horizonte, e o Mutirão Reflorestamento, no Rio de Janeiro. Já a turma de São Paulo buscou patrocínio de um grande banco. Importante: antes de qualquer mudança, é preciso ter a autorização do proprietário do terreno.

3. revolução consolidada
Não adianta só construir algo bacana. É preciso mantê-lo. E aí novamente o segredo é a cooperação. Todo mês, a presidente da Amateus, Claire Perosa, de 53 anos, passa o chapéu entre os moradores para garantir que a grama da praça seja cortada, as árvores sejam podadas, a areia do parquinho seja trocada etc. Em Curitiba, Francisco Cortés e outros voluntários vão todo sábado, das 9 às 12 horas, dar uma geral na horta. E também correm atrás de doações e da ajuda de agrônomos e botânicos. Na Vila Alemoa, o apoio de uma universidade permitiu acrescentar ao parque uma academia de ginástica e um campo de futebol.
 

PROMOÇÃO-RELÂMPAGO

Que tal começar a agir com uma transformação temporária? Essa é a proposta do projeto Lotes Vagos (lotevago.blogspot.com), dos arquitetos Louise Ganz, de 42 anos, e Breno Silva, de 31, de Belo Horizonte. Após localizar uma área ociosa, eles negociam o empréstimo com o proprietário. Então, reúnem voluntários e decidem o que fazer. Durante um ou mais dias, o local é tomado por feira de artesanato, exposição de arte, festa comunitária, pista de skate, oficina de costura etc. “É uma forma de questionar a propriedade privada, tornando-a temporariamente pública”, explica Breno.

 

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Comentários:
Muito bom isso mostra a capacidade da sociedade de se divertir, transformar, fazer a diferença com um gesto simples divertido, passei pela experiência acima e sei que é possível.
Ronaldo Pereira
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