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Museu de bolso

Carrego ele por toda parte – até porque nunca se sabe quando, onde, como e por que aquele fio de pensamento vai surgir. Pode ser uma boa ideia, uma descrição emocionante, uma lembrança, um novo contato ou uma frase de efeito dita por alguém - e que ficaria perfeita na minha boca. É nele que registro tudo isso. Sem me preocupar com datas, letra caprichada nem caneta colorida. Sem a pretensão de que um dia isso se torne uma grande obra, um projeto de vida ou um simples e-mail para um amigo que está longe. É só para ter comigo uma coletânea de momentos de mim mesma. Como se fosse uma polaroide da memória. Muitas vezes, em forma de garranchos - quando a pressa em guardar o pensamento não pode esperar por uma mesa nem por tempo livre. Para ocasiões especiais, como viagens, sejam elas a trabalho, sejam de férias, eu costumo inaugurar um novo capítulo, pois é geralmente nesses momentos mais extraordinários que percebo melhor as sinapses trabalhando. Isso não significa que tomar banho, sair para a balada ou assistir a uma aula não sejam inspiração para mais uma frase em suas folhinhas - sim, pequeninas, pois assim posso levar até no bolso da calça. Não coleciono selos, latas, papel de carta, moedas nem conchinhas. Mas sou uma colecionadora de pensamentos. E meu museu é meu caderninho.

















































