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Na dose certa

Trabalho é ganha-pão. Mas pode também ser prazer, satisfação e trazer o sentido da vida. É a boa medida dessa atividade que abre as portas para uma existência mais plena
Texto: Jaqueline Li // Ilustração: Rafael Sica
Na dose certa
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Já passa das 21 horas e Márcia Weeck ainda está no escritório. É terça-feira e o celular toca pela quarta vez. Sua filha, que nesse dia dorme na casa do pai, pede um pouco mais de atenção. “Quando ela está com ele, não ganho mais tempo para mim – ganho mais tempo para trabalhar”, diz a mãe de 42 anos, com um sorriso imenso nos lábios. Sua frase não é um lamento. Quando fala do que faz como estilista-chefe de uma empresa paulistana de tecidos, o tom de satisfação é indisfarçável. Márcia não tem um pingo de vergonha de fazer do trabalho sua vida. Ao contrário. Porque é nele que encontra a sua felicidade.

Filha mais velha entre seis irmãos, ela foi atrás de sua independência aos 12 anos. A partir de então, adeus sossego. Vendeu camisetas, trabalhou em lojas, salão de beleza e saiu do Rio Grande do Sul, onde nasceu, para dedicar-se à moda. Acabou na Europa, pesquisando tendências, antes de parar em São Paulo. Inquieta, descobriu que é possível tirar energia do que faz com prazer – e dosa as horas de trabalho com sua própria medida. “Tenho em mente que o que importa é a qualidade do tempo, e não a quantidade”, conta.

Como Márcia bem mostra, a atividade fora de casa não é apenas uma forma de ganhar dinheiro. “Trabalhar também produz status social, contatos fortes entre as pessoas e sentimento de realização”, diz Giovana Del Prette, doutora em psicologia clínica. Para quem encontra no exercício da profissão esses méritos, longas horas de jornada não cansam, não são sacrifício nem obrigação. É essa postura que separa um workaholic (viciado em trabalho) daquele que o professor Wanderley Codo, coordenador do Laboratório de Psicologia do Trabalho da Universidade de Brasília, chama de worklover – um amante do trabalho.

“Basicamente, o que difere um do outro é a realização produzida pela profissão. O worklover trabalha muito e com prazer. O workaholic foge da realidade pelo trabalho”, diz o professor. Enquanto o primeiro se desenvolve também em outros aspectos da vida, como nas suas relações pessoais, quem tem o vício sente satisfação apenas momentânea – ou, pior, não extrai prazer algum do que faz e, mesmo assim, não consegue ficar sem aquelas horas extras. Junto com a doença, vem a culpa e a incapacidade de organizar a vida.

O plano B

É o caso de muita gente – quantas vezes por semana você não ouve alguém reclamando que trabalha demais? Geralmente, apontam-se como culpados o emprego exigente, a pressão do chefe, a falta de opção. Mas talvez seja apenas uma escolha infeliz. Se encontrar uma paixão profissional é mais questão de sorte, é possível ao menos decidir que relação se quer ter com o ofício. E então, quem sabe, trabalhar apenas o mínimo possível e necessário – e ir buscar a realização fora do horário comercial.

Foi o que fez o jornalista Wellington Campos, de 30 anos. Ainda na faculdade, descobriu que a realidade da profissão era dura: longas jornadas, plantões nos fins de semana e salários que pareciam não pagar o desgaste. Recém formado, deu-se conta de que não queria viver assim. Então, durante nove meses, estudou para prestar concursos públicos. Passou em vários e escolheu viver em São Paulo, como assessor de imprensa de um órgão público federal.

Hoje, Wellington não trabalha mais do que sete horas por dia – ele emenda o período de almoço para ganhar mais tempo fora do escritório. E é lá fora que encontra suas alegrias, como viajar. “Nos últimos seis meses, já fui duas vezes para Salvador – sem contar o Carnaval –, vou para a casa da minha família em Uberaba ao menos uma vez por mês e faço uma grande viagem de férias todo ano”, contabiliza o mineiro. Para ele, é o tempo longe dos compromissos que dá fôlego às horas de serviço.

Nem cá, nem lá

Márcia e Wellington são felizes com escolhas opostas. Quem tem razão? Bem, os dois. Trabalhar menos pode ser ótimo se for benfeito e pagar as contas. Ou arriscado, se para isso você negligencia tarefas, submete-se ao que não suporta ou não atende a suas necessidades básicas de sobrevivência. Trabalhar demais pode ser prazeroso e enriquecedor. Ou um castigo, se for sem paixão, impedir outras realizações e trouxer doenças. A medida ideal é uma conta pessoal, que considera os fatores satisfação, tempo e felicidade a longo prazo. E ela se modifica durante a vida. “Se o trabalho parece nunca ter fim e perde o propósito, está na hora de rever escolhas”, afirma o terapeuta comportamental Victor Mangabeira.

Foi com a chegada da maternidade que Beatriz Kauffman, de 43 anos, começou a sentir que estava nesse limite. Durante anos organizando eventos em São Paulo, não tinha hora de voltar para casa, adiava as férias e ignorava os fins de semana. “Queria me dedicar mais aos meus filhos, mas continuar fazendo algo de que gostasse”, conta. Decidiu mudar de vida e abriu uma loja virtual. Beatriz agora faz álbuns de foto personalizados. Assim, a mãe de um casal de pré-adolescentes arranjou mais tempo para tudo o que lhe importa. “Acho que, agora, eu me dedico de corpo e alma ao trabalho – e também à família”, diz. E você, já descobriu qual a sua dose certa?

 

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Comentários:
FELIZ DIA A TODOS.
QUERO PRIMEIRO EXPRESSAR MEU AMOR POR INSTITUIÇÕES QUE CUIDAM DE SERES TÃO VALIOSOS QUE ESTÃO PASSANDO POR MOMENTOS DIFÍCEIS.
A REVISTA TEM ABERTO MEU CORAÇÃO,MINHA MENTE.
AS MATÉRIAS ME FAZEM RECORDAR DA MINHA INFÂNCIA E DO FUTURO BRILHANTE QUE TENHO COM SAÚDE E PAZ. TENHO UMA DECLARAÇÃO PRA UMA PESSOA QUE É MUITO ESPECIAL. POSSO ENVIAR PRA VOCES.
AS VEZES ESCREVO VERSOS E TEXTOS. POSSO MANDAR TAMBÉM.
BJOS A TODOS E FIQUEM COM DEUS
EDNÉIA RAMOS
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