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Na fita

Para muita gente, as fitas cassete parecem objetos tão obsoletos quanto telégrafos, carruagens ou máquinas de escrever. Mas, não faz tanto tempo, eram elas que carregavam nossas trilhas sonoras. E com algumas vantagens em relação aos discos de vinil: não pulavam, não riscavam e – o melhor de tudo – podiam ser gravadas e regravadas a gosto. Muitos namoricos começaram com a entrega de uma fita acompanhada da frase: “Gravei algo pra você”. Podia ser a trilha sonora de um verão inesquecível. Ou uma seleção musical para a festinha: rock no lado A, as lentas no lado B. Fitas de uma música só, com vários intérpretes ou, na falta do botão repeat, com a mesma gravação por uma hora inteira. E, claro: as deliciosas relações de músicas que, para nós (e talvez para ninguém mais), faziam todo o sentido juntas, carregando mensagens subliminares para alguém ou feitas para ouvir sozinho com os pensamentos no quarto. Além de selecionar os hits e esperar ansiosamente para gravar uma versão tocada na rádio sem a interferência cretina do locutor, a boa fita ainda merecia capricho na hora de desenhar as capinhas. Com o advento do mp3, que nos permite carregar o conteúdo de milhares de fitas no bolso, a graça de criar seleções musicais às vezes parece perdida: a reprodução aleatória dá menos trabalho. Mas, para momentos saudosistas, os correspondentes modernos dos cassetes estão por aí. Basta dar uma pesquisada na internet para encontrar sites como o www.mixtape.me, que permitem criar fitinhas virtuais. Depois é só mandar o link e dizer: “Gravei algo pra você”.


















































