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Na tela

Texto: Dilson Branco // Foto: Daniela Toviansky
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O Segredo da Espada Mágica, do He-Man, foi o primeiro filme a que assisti no cinema. Eu devia ter uns 5 anos, não me lembro da história. Só da atmosfera daquele ambiente: uma casa gigante, feita só para as pessoas se divertirem, com poltronas confortáveis, pipoca e uma tela enorme, tomada pelo meu herói favorito. Demais! Mas, por algum motivo, nos anos seguintes cinema seria um programa raro na minha vida. Era que nem pizza: lá em casa, todo mundo adorava, mas a reservávamos para situações especiais. Assim, posso contar nos dedos os filmes que vi na telona até meus 18 anos: De Volta para o Futuro III (com meu irmão), O Paciente Inglês (no verão, sem ar condicionado), Forrest Gump (com a família toda), O Quinto Elemento (com sugestivas cinco pessoas em toda a sala) e Titanic (a maior fila). Tudo mudou quando vim para São Paulo. Morando sozinho, ainda com poucos amigos na metrópole, o cineminha passou a ser meu programa tradicional de fim de domingo. Vindo de uma cidade 30 vezes menor, eu ficava impressionado com a variedade de filmes em cartaz. Comecei a experimentar as diferentes salas e a eleger minhas favoritas, onde me sinto em casa. Melhor que em casa, na verdade. Tenho uma TV bacana, posso ver os filmes no conforto da minha cama. Mas não abro mão de ir até o cinema. Hoje, esse é um dos momentos mais gostosos que compartilho com minha namorada. Nos divertimos com os blockbusters, nas salas 3D. E também nos documentários-australianos-sobre-música-tradicional-coreana das mostras.
A solenidade de sair de casa, comprar um ingresso, entrar na fila, ver as luzes se apagando e imergir nas cores e sons que tomam conta do ambiente ainda é um prazer raro. Que, agora, faço questão de apreciar quase toda semana.

 

*Na edição impressa esquecemos de informar a fotógrafa responsável pela imagem dos nossos personagens no cine Belas Artes. Foi mal Dani!

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