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No meu ritmo

Começaram com as aulas, que quase toda menina faz na infância. Na adolescência, virou uma coisa séria: todo dia ensaio, até que os joelhos ficaram em frangalhos. Adulta, virou coisa de festa. Tem gente que bebe, tem gente que conta histórias, tem gente que toca música, tem gente que paquera. Eu danço. Posso ser tímida pra todas essas outras coisas, mas não para entrar no meio da roda, fazer passinhos, representar a letra da música, relembrar coreografias vergonhosas de antigamente, misturar rockabilly com a macarena. Dançar me faz
tão, mas tão feliz que perco a censura: de todos os esportes, nada diverte tanto meu corpo. Danço sozinha em casa, na sala, quando estou contente com a vida. Danço no tapete do videogame, no meio da madrugada, para baixar a adrenalina de um dia difícil. Danço sem música quando estou apaixonada. Danço involuntariamente, com os fones de ouvido, dentro do metrô. Danço na grama e na chuva, só por dançar. De uns tempos pra cá, voltei a fazer aulas, para aprender
ritmos exóticos e passos a dois - sou de uma geração que nunca dançou junto mais do que uma valsa de debutante. E me peguei descobrindo movimentos que não me achava mais capaz de fazer. É por isso que gosto tanto disso. Ao colocar o corpo em sintonia com a música, não sou mais eu, toda tensa e com a cabeça cheia. O ritmo está tão dentro quanto fora de mim. Encontrá-lo é questão de improviso e de intuição, sem certo nem errado. Dançando, sou enfim só sentidos.



















































