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editorial

Num piscar de olhos

Por Roberta Faria, editora-chefe
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Todas as grandes decisões que tomei na vida foram fáceis. Dito assim, soa prepotente, mas é verdade – porque no fundo sempre soube exatamente o que queria. Não que escolher rapidamente seja uma habilidade especial. Parece mais um instinto primitivo: dizem que decidimos tudo antes mesmo de termos consciência do problema, porque nosso cérebro está preparado para fazer uma opção entre lutar ou correr, desde os tempos em que nossa única preo­cupação era sobreviver à natureza.

O fato é que a decisão era simples, e estava tomada, por maior que fosse a questão: ter ou não ter filhos, mudar ou não de cidade, terminar ou não o namoro, continuar ou sair do trabalho. Eu sabia o que fazer. O mais difícil, angustiante e assustador sempre foi assumir a escolha. Ter coragem para dizer, em voz alta e para quem quisesse ouvir, que esta é a minha aposta. Porque, quando faço isso, estou renunciando a todas as outras opções. Disponho-me ao incerto e tenho de enfrentar as consequências, imensas ao menos na imaginação. Foi isso – e não escolher – que mais me doeu em todas aquelas grandes decisões.

Enquanto a escolha mora apenas nas ideias, permaneço no universo do “e se...”. E se eu fizesse de outro jeito? E se der errado? E se o outro caminho for melhor? E se... É longo o caminho do “e se...”. Cheio de ilusões, de diálogos imaginários, de uma ansiosa tentativa de controlar todas as variáveis – que, é claro, não controlo. Quanto mais penso sobre um assunto, mais possibilidades surgem, mais incertezas abalam aquela primeira decisão instintiva, maior é a expectativa de fazer a escolha perfeita. Não raro, coloco a decisão para avaliação pública, e sou abarrotada de conselhos – ainda que bem-intencionados. (E a verdade é que quase nunca quero ouvir outra opinião: preciso apenas que alguém concorde e divida comigo o peso dessa decisão).

Essas experiências me ensinaram três coisas. A primeira é confiar nos meus instintos – e me agarrar àquela decisão tomada num piscar de olhos. Tento então gastar o tempo em que pensava no “e se...” planejando como vou assumir – e bancar – a tal escolha feita. A segunda é que nunca terei plena certeza de que estou fazendo o certo: a vida é risco, e tudo que posso fazer é me esforçar para que funcione. E a terceira é que, se der tudo errado, posso mudar de ideia – até porque, quanto mais escolhas duras faço, mais fáceis são as próximas.

E, por fim, aprendi que, se há algo inspirador para minhas decisões, não são tanto os conselhos queridos que recebo, mas as histórias de vida que conheço. Nesta edição, há muitos exemplos de coragem e de escolhas difíceis, que me fazem sentir mais amparada – e determinada a bancar minhas próprias decisões. Espero que inspirem você também.

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