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O dia em que descobri o circo

Texto: Dilson Branco // Imagem: Divulgação/Circo Zanni
O dia em que descobri o circo
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Não me lembro de quase nada daquele dia. O que restou de lembrança - motivo de risadas lá em casa até hoje - foi um daqueles monóculos de plástico, com uma fotinho lá dentro. Na imagem estamos eu, aos 12 anos, e meu pai, um mais entediado que o outro, na arquibancada rarefeita do primeiro circo da minha vida. O show era tão vagabundo que nem uma piada, nem um rugir de leão, nem uma manobra de trapezista sobraram na minha memória. Nos 20 anos seguintes, o universo circense, para mim, foi composto de imagens-clichês vistas na TV e em revistas. Até que alguém sugeriu que esse fosse o tema de um dos textos da Sorria. Tocou para mim escrevê-lo, com uma óbvia condição: deveria assistir a um novo show que me trouxesse inspiração. Ora, há muito o circo não é mais o maior espetáculo da Terra. Todos sabem que aqueles leões não tinham garras e passavam fome, conheço mais gente que sente medo do que vontade de rir ao ver um palhaço, e o que se inventou em matéria de entretenimento nas últimas décadas torna completamente anacrônica a ideia de esperar a alegria chegar à cidade a bordo de um caminhão. Deixei para o último dia da temporada. Um domingo chuvoso e frio, após uma noite mal dormida. Tive de esperar sentado no concreto úmido por uma hora até a lona ser aberta. Foi minha namorada quem me convenceu a não dar meia-volta para debaixo das cobertas. Então, finalmente, a apresentação começou. Um casal de palhaços nos deu as boas-vindas e, acreditem, eles eram engraçados! A trapezista, o malabarista e o acrobata não fizeram nada que todos ali já não tivessem visto na TV, mas aquilo tudo tinha um ar tão simples, nostálgico e aconchegante que era impossível não achar bonito. Enfrentei meu maior medo quando me pescaram para uma daquelas assustadoras participações da plateia. E foi divertido! Quando dei por mim, tinha um sincero sorriso no rosto. Infelizmente, ele não foi registrado numa foto de monóculo. Mas, tudo bem: vão ficar bem guardadas na memória as lembranças desse dia, em que eu finalmente descobri o circo.

 

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Comentários:
Fui desfavorável ao curto texto crítico de Dilson Branco, sua redação muito bem regida, mas com péssimas conotações sobre o mundo maravilhoso e encantador que é o circo. Penso no trabalho impagável do levantar a lona, montar o trapézio, a dificuldade da falta de valorização dessa cultura milenar, os ensaios, as expressões faciais invejadas pelos artistas televisivos, que muitas vezes não tem talento comparativo. Uma arte quase nada valorizada, mas que nos faz fugir do mundo afogado que vivemos.
Dilson, você tem é tom com a lingua portuguesa, mas precisa rever seus conceitos sobre determinados assuntos. Quem sabe ler mais livros de romance, ou filmes, precisamos ler coisas bonitas e não suas criticas pessoais.
Gladston Clemente
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