Droga Raia

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O milagre do pão

Todo mundo sabe: depois que pega no sono, o pão fofinho fica duro feito pedra. Mas não é o fim da linha. Com criatividade, é possível ressuscitá-lo em adocicadas rabanadas ou num cremoso pudim
Texto: Chico Spagnolo // Foto: Luiz Henrique Mendes // Produção de culinária e objetos: Beth Freidenson // Assistente de produção: Claudia Maykot
 
O milagre do pão
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Ele nasce quentinho, crocante por fora, úmido e macio por dentro. O padeiro nem fecha o saco, deixando o vapor enfeitiçar quem passa por perto, emanando aquele cheirinho de mesa posta para o café, convidando a manteiga a se derreter. Mas, à moda do conto de Cinderela, essa magia tem hora para acabar. No dia seguinte, a umidade do miolo emborracha a casca. Mais algumas horas, ela se dissipa totalmente, e instala-se a tragédia: o pão que fora a estrela do café da manhã se vê transformado em pedra.

Quando tudo parecia perdido, aí se dá o milagre. Se o santo estiver sem muita criatividade, a ressurreição vem sob a forma de torradas ou farinha de rosca. Umedecido com água ou leite e levado ao forno, o alimento nosso de cada dia também pode ganhar uma sobrevida. Simples e eficiente. Mas cada cultura deu seu jeitinho especial de acordar o pão dormido. Os italianos o rasgam com as mãos e o misturam a tomates para fazer a salada panzanella. Se picado e passado na frigideira com alho e azeite, vira croûtons – lição dos franceses. E os alemães têm mais um motivo para o brinde quando veem chegar uma porção de knödel, bolinhos cozidos feitos de pão seco, leite e temperos – na versão italiana, eles se chamam canerdeli. A massa de trigo adormecida também engrossa ensopados típicos, do vatapá baiano à skordalia grega, passando pelo gaspacho espanhol, e dá liga a hambúrgueres e almôndegas ao redor do mundo.

Das inúmeras possibilidades de tornar novamente saborosos os pãezinhos que sobraram na despensa, selecionamos duas, simples e deliciosas. Experimente. O risco é você exagerar na conta na próxima vez que for à padaria, só para poder, no dia seguinte, realizar novamente o milagre da ressurreição do pão.

 

RABANADA

Deliciosa herança portuguesa, eis aí uma ótima pedida para as festas de fim de ano

PUDIM DE PÃO

De sobra à sobremesa: com leite, ovos e açúcar, nasce um flan macio e caramelizado

ingredientes

• pães franceses dormidos • 1/2 litro de leite • 4 ovos • óleo • açúcar • canela em pó

Modo de preparo

Corte os pães em fatias oblíquas (para ficarem mais compridas) com a espessura de um dedo. Em uma fôrma, deixe-as de molho no leite. Num recipiente à parte, bata os ovos. Uma a uma, esprema as fatias levemente entre as palmas das mãos, passe-as nos ovos batidos e frite-as em óleo bem quente. Vire-as para ficarem bem douradas de ambos os lados. Escorra-as e polvilhe com uma mistura de quatro partes de açúcar para uma de canela em pó.

Adaptações de receitas cedidas por O Marquês Buffet

ingredientes

• 4 pães franceses dormidos sem casca
• 1 xícara (chá) de leite • 4 ovos • 2 colheres (sopa) de manteiga  • 1 1/4 xícara (chá)
de açúcar • 1/2 xícara de uvas-passas
• 4 colheres (sopa) de vinho do Porto

Modo de preparo

Ponha as uvas-passas de molho no vinho do Porto. Espalhe o açúcar em uma fôrma própria para pudim e leve-a ao fogo para formar o caramelo. Reserve. Ponha o pão de molho no leite. Junte os ovos, o açúcar e a manteiga e misture tudo. Acrescente um pouco de vinho para perfumar. Junte as uvas-passas na forma e leve ao forno. Espete com uma faca de tempo em tempo. Quando ela sair limpa, desligue o fogo. Sirva gelado.

 

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