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O milagre do pão

Ele nasce quentinho, crocante por fora, úmido e macio por dentro. O padeiro nem fecha o saco, deixando o vapor enfeitiçar quem passa por perto, emanando aquele cheirinho de mesa posta para o café, convidando a manteiga a se derreter. Mas, à moda do conto de Cinderela, essa magia tem hora para acabar. No dia seguinte, a umidade do miolo emborracha a casca. Mais algumas horas, ela se dissipa totalmente, e instala-se a tragédia: o pão que fora a estrela do café da manhã se vê transformado em pedra.
Quando tudo parecia perdido, aí se dá o milagre. Se o santo estiver sem muita criatividade, a ressurreição vem sob a forma de torradas ou farinha de rosca. Umedecido com água ou leite e levado ao forno, o alimento nosso de cada dia também pode ganhar uma sobrevida. Simples e eficiente. Mas cada cultura deu seu jeitinho especial de acordar o pão dormido. Os italianos o rasgam com as mãos e o misturam a tomates para fazer a salada panzanella. Se picado e passado na frigideira com alho e azeite, vira croûtons – lição dos franceses. E os alemães têm mais um motivo para o brinde quando veem chegar uma porção de knödel, bolinhos cozidos feitos de pão seco, leite e temperos – na versão italiana, eles se chamam canerdeli. A massa de trigo adormecida também engrossa ensopados típicos, do vatapá baiano à skordalia grega, passando pelo gaspacho espanhol, e dá liga a hambúrgueres e almôndegas ao redor do mundo.
Das inúmeras possibilidades de tornar novamente saborosos os pãezinhos que sobraram na despensa, selecionamos duas, simples e deliciosas. Experimente. O risco é você exagerar na conta na próxima vez que for à padaria, só para poder, no dia seguinte, realizar novamente o milagre da ressurreição do pão.
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RABANADA Deliciosa herança portuguesa, eis aí uma ótima pedida para as festas de fim de ano |
PUDIM DE PÃO |
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