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O mundo é um museu

Tem de arte, de ciência, de história, de brinquedo, até de pão. Tudo o que é fascinante neste planeta pode estar nos corredores – ou no jardim – de um museu. Só falta você
Texto: Bruno Moreschi // Ilustração: Adriana Komura
O mundo é um museu
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O que uma moeda de prata do século V a.C., um jogo de pega-varetas, um quadro de Picasso e uma esfera que arrepia os cabelos de quem a toca têm em comum? Estão expostos em algum dos 2,5 mil museus do Brasil. São tão diferentes quanto toda a variedade de coisas que existem no mundo. São iguais na capacidade de nos encantar, surpreender, divertir ou até deixar uma pulga atrás da orelha. Museu é para a gente ir e se admirar. Precisa complicar?

Muita gente tem preguiça. Ou faz cara feia. Acha que ir a uma exposição é diversão elitista e empoeirada. Mas há quem não tenha preguiça, não ache nada, e, curioso, simplesmente vá a uma e goste muito. Como o estudante Lucas Colares, de 19 anos. Ele “experimentou” uma instalação da Bienal de Arte de São Paulo: caminhou por uma estreita ponte de madeira que saía da janela do prédio, passava entre as árvores do parque do Ibirapuera e voltava ao solo firme do museu. Sentiu-se tão bem que virou fã das surpresas da arte contemporânea.

Algo assim pode ter acontecido às crianças inglesas que tiveram o Tate Modern, em Londres, só para si por um dia. Em fevereiro, o museu abriu a elas seu acervo de instalações. No que deu? A infalível pontualidade britânica foi aos ares e eles fecharam as portas duas horas mais tarde que o normal – quem disse que a molecada saía de lá de dentro?

Lucas e as crianças tiveram prazer com arte. Seriam eles engajados no debate secular sobre os mistérios do sorriso da italiana pintada na tela? Ou apenas se deixaram encantar? A arte é complicada mesmo ou é a gente que a  complica? “Dificultamos tudo quando vemos o museu como um lugar sagrado”, disse a Sorria* Robert Hughes, o maior crítico de arte da atualidade.

Se tanto crianças quanto o maior entendido em arte do mundo acham que basta ir ao museu de peito aberto, olhos, ouvidos, narizes e poros aguçados... Eles podem ter razão.

(Em tempo: a moeda milenar e o brinquedo antigo estão no Museu Histórico Nacional do Rio de Janeiro; a esfera eletrificada que arrepia os cabelos de quem a toca mora na Estação Ciência e o quadro de Picasso, no Masp, ambos em São Paulo. E o Museu do Pão fica em Ilópolis, no Rio Grande do Sul, e onde é possível comer até 10 tipos de massa enquanto conhece mais da comida que é uma instituição cultural.)

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