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O mundo é um parque

Tomás já escalou o pico da bandeira, visitou as cavernas da Chapada Diamantina, conheceu os cânions de Aparados da Serra, mergulhou em praias, cachoeiras e lagoas Brasil afora. Seu passaporte tem oito carimbos de lugares tão distantes quanto o Irã, onde fez amigas muçulmanas, e a Noruega, em que caminhou no gelo com cães que parecem lobos. Na vizinhança da América do Sul, andou pelo deserto no Chile, viu seus primeiros vulcões na Bolívia, conheceu o enorme Aconcágua, na Argentina. Em breve, quer ir ao Egito. E Tomás tem 4 anos de idade.
Viajar foi o que aproximou os pais desse turista mirim. Quando se encontraram, a jornalista Ana Busch e o fotógrafo Caio Vilela, de São Paulo, já conheciam meio mundo e planejavam chegar a muitos outros destinos. Juntaram as malas e, quando veio a gravidez, fizeram um pacto: nunca deixariam de fazer aquilo de que tanto gostavam, mesmo com as complicações de viajar com crianças. Três meses depois de nascer, Tomás já caía na estrada com os pais.
Primeiro, viagens curtas. Bem acomodado em uma mochila ou no bebê-conforto, Tomás acompanhou Caio e Ana em destinos de aventura de nordeste a sul, como o Parque Nacional de Caparaó, em Minas Gerais, onde subiu a mais de 2 mil metros de altitude. Conheceu praias quase desertas onde mergulhava com o sol nascendo, dormiu em redes, ensaiou passos em trilhas. “O primeiro banho de cachoeira de Tomás foi aos 3 meses, em Parati, no Rio”, lembra Caio. “Fez cara feira porque saiu do quentinho para a água fria. No fim, era só alegria”, conta. “Hoje, parece um peixe!”

Tomás às costas, Caio faz uma parada para descanso na cachoeira, em uma trilha de Caparaó, em Minas Gerais. Equipamentos como a mochilinha ajudam a completar o percurso. Já a roupa apropriada (na foto acima) espanta até mesmo o frio de graus abaixo de zero, em Svalbard, na Noruega. A lição de Ana e Caio? Organização e paciência. Assim, não há dificuldade que impeça a família de chegar a qualquer destino
Para quem não se arrisca com os filhos além da pracinha ou do shopping, parece loucura. Que nada. Bebês e crianças se adaptam muito mais facilmente a climas e altitudes diferentes. Claro que viajar com os pequenos exige um planejamento detalhado (e um mundaréu de acessórios para garantir o conforto e a segurança deles). Mas, com organização e respeito ao ritmo dos filhos, é possível, sim, alargar os horizontes e fugir do óbvio. “Curtimos o caminho, muito mais do que chegar”, conta Ana.
As viagens mais distantes começaram depois do primeiro ano de Tomás. Como a ida ao Irã, onde, sem estranhar os véus das muçulmanas, ele se aproximava para fazer amizade. “Para o Tomás, não há diferença de roupas, cultura nem religião”, conta Ana. Aprender o respeito à diversidade e se sentir em casa em qualquer lugar do mundo é a melhor lembrança. “Isso o ensinou a experimentar tudo, sem medo de errar”, diz Ana. Há quase um ano, os gêmeos Artur e Martin chegaram à família. As viagens vão continuar. Para estas crianças, o mundo é um grande parque de diversões.

PEQUENOS EM TODA PARTE
Inspirados por essas viagens, o casal fez o
livro Um Mundo de Crianças, em que conta
como é a vida delas em vários países.
Os textos são de Ana e as fotos, de Caio.


















































