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Para compreender a família

Pai, mãe, irmãos, avós... São eternas fontes de carinho, emoção, loucura, mágoa. E nossas referências para saber mais de nós mesmos. A seguir, uma seleção de livros, filmes, séries e discos para amar, rir e perdoar a família. E entender de onde viemos
Texto: Camila Santos // Imagem: Divulgação // Ilustrações: Juliana Martinhago
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Para escolher uma família  
Os Saltimbancos.
Disco de Chico Buarque, 1977, Gravadora Polygram. Inspirado na fábula Os Músicos de Bremen, dos Irmãos Grimm, conta a história da família nascida da amizade entre um jumento, um cachorro, uma galinha e uma gata explorados por seus patrões. Lançado durante a ditadura, seu mote de que só a união traz a força para lutar faz desse álbum um dos mais políticos de nossa música. Para passar aos filhos e cantar junto.



Para se entender melhor
Pequena Miss Sunshine.
Filme de Jonathan Dayton e Valerie Faris, EUA, 2006.  Na família Hoover, o pai é um fracassado escritor de auto-ajuda, o filho é rebelde, o avô é viciado em drogas, o cunhado é suicida e a mãe tenta não enlouquecer. Mas todos partem em uma Kombi velha em busca do sonho da filha caçula, Olive: participar de um concurso de beleza. A jornada os fará perceber que a vitória não está necessariamente em ganhar, mas em aceitar a si mesmos e uns aos outros pelo que são. Para rir e se emocionar.



Para dizer: mãe, eu te amo
Lado a lado.
Filme de Chris Columbus, EUA, 1998.  Os irmãos Jena e Liam vivem os conflitos da família moderna: pais separados, uma nova madrasta, Julia Roberts, e uma mãe ciumenta, Susan Sarandon. Sarandon é a mulher que dedicou a vida aos rebentos e Julia, a que busca equilibrar a carreira e o amor à família. Diante do câncer que acomete a mais velha, qualquer desavença fica pequena. Para chorar muito.



Para rir com nostalgia
That’s 70’s Show.
  Série de Mark Brazill, EUA, 1998.  Com humor escrachado, o sitcom conta a história de seis amigos adolescentes que vivem no interior dos EUA, na década de 70, às voltas com seus pais, festas, sexo, drogas e planos para o futuro. O cenário principal é o porão da casa dos Forman, e as situações parodiam comportamentos e modas típicas dos anos 70. Para morrer de saudade daquela época (e ver que pais e filhos nunca mudam).



Para entender as mulheres
Volver.
Filme de Pedro Almodóvar, Espanha, 2006.  Raimunda (Penélope Cruz) precisa sumir com o corpo do marido: vai proteger a filha adolescente, que o matou para se defender de uma tentativa de estupro. Nesse meio tempo, sua mãe, que ela julgava morta, reaparece para que as duas tenham uma segunda chance de rever mágoas do passado. Elas se descobrem unidas pelo destino e pelas dores da condição feminina.



Para não se levar tão a sério
Os Simpsons.
Série de Matt Groening, EUA, desde 1989.  O casal Homer e Marge e seus filhos Bart, Lisa e Maggie são a família que protagoniza um dos desenhos animados mais inteligentes da TV — e a mais antiga série em exibição nos EUA. Ela faz uma sátira ao modo de vida americano e às mesquinharias e fragilidades humanas. Longe de respeitar hierarquias, todos na família adoram competir entre si e se dar bem.  Para rir dos problemas.



Para convocar um jantar em família
Comer, Beber, Viver.
Filme de Ang Lee, Taiwan-EUA, 1994. Em Taipei, o senhor Chu é um chef de cozinha viúvo que, depois de um problema de saúde, tenta resgatar a relação com as três filhas: uma executiva, uma jovem romântica e uma professora de coração partido. Para tanto, canaliza as emoções no ritual de preparar o jantar dominical em família. Rejeição, amores complicados e conflitos se misturam a iguarias gastronômicas com humor e sensibilidade.



Para ficar de bom humor
Comédias da Vida Privada.
  Livro de Luis Fernando Verissimo, Editora Objetiva. Cheias de ironia e humor, as crônicas do escritor gaúcho contam as pequenas e grandes tragédias do cotidiano da classe média brasileira, os anseios e desejos que todo mundo tem e eternizam personagens que sempre parecem com aquele nosso amigo ou com a gente mesmo. Um retrato fiel e delicioso da família brasileira.



Para se reconciliar
O Castelo de Vidro.
Livro de Jeannette Walls, Editora Nova Fronteira.  Em sua autobiografia, a jornalista americana Jeannette Walls conta da infância e adolescência em meio ao brilhantismo e à excentricidade dos pais, à falta de dinheiro e à união com os irmãos. Uma reconciliação com as loucuras da família, a quem deve lições de vida e coragem.



Para respeitar as raízes
Cem Anos de Solidão.
Livro de Gabriel García Márquez, Editora Record.  Um marco na literatura latino-americana, conta a saga familiar dos Buendía — a “estirpe de solitários” —, descendentes do fundador da cidade mítica de Macondo. Cercado por um universo de fábula, o livro relata a história de guerras, loucuras, sonhos, amores e das heranças físicas e psicológicas deixadas pelos membros do clã às gerações do século seguinte.



Para se identificar
A Grande Família.
Série de Guel Arraes, desde 2001. O clã do fiscal sanitário Lineu, sua esposa e dona-de-casa, Nenê, os filhos,  Bebel e Tuco, e o genro/cunhado,  Agostinho, vive o cotidiano da típica família brasileira de classe média. O tom é de deboche dos conflitos domésticos, sem perder de vista o afeto, que acaba sempre unindo os cinco.  Para se identificar... e assumir que todo mundo é um pouco piegas.

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