Droga Raia

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Para mergulhar na fantasia

Tem dia que parece que a vida se repete, chata. Nessas horas, que tal assumir o ponto de vista de quem soube enxergar o mundo com olhos mais coloridos? Confira uma seleção de filmes, livros, sons e imagens que vão dar asas à sua imaginação
Texto: Filpo Nazário // Foto: Divulgação e Thiago Henrique // Ilustração: Danielle Bidóia
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Para descobrir outros mundos 
As Viagens de Gulliver, livro de Jonathan Swift. Publicado em 1726, este clássico parodia um gênero de literatura que fazia muito sucesso na época – os relatos de viagens. Num tempo em que nem sequer existiam fotografias, as terras distantes eram um enigma, cheias de mistério. Jonathan Swift se aproveita desse vasto imaginário dos seus contemporâneos para criar o livro. Nele, o personagem Gulliver sobrevive a um naufrágio e acaba conhecendo lugares incríveis, como Lilliput e seus habitantes minúsculos. No início, parece que os estrangeiros são absurdamente diferentes. Mas logo percebemos que se parecem muito com os humanos.


Para possibilidades infinitas 
Histórias em quadrinhos.
Foi com elas que muita gente aprendeu a viajar no mundo da literatura. O misto equilibrado de texto e desenho das histórias em quadrinhos conquista pela aparente leveza, mas pode levar a um universo de tantas possibilidades quanto o papel, o lápis e a imaginação permitirem. Dois ótimos lançamentos acabaram de chegar às bancas. Macanudo Nº 2, do argentino Liniers, é uma coleção de tirinhas com personagens desajustados e melancolicamente engraçados (usamos uma delas para ilustrar o texto da página 15, confira). E MSP50 – Mauricio de Sousa por 50 Artistas comemora 50 anos de carreira do criador da Turma da Mônica de forma muito especial: com cinco dezenas de cartunistas imprimindo seu estilo aos personagens mais famosos dos quadrinhos brasileiros. Além de ser diversão garantida, serve como um catálogo para conhecer grandes artistas.


Para um sopro de ciência 
Espaço Cultural e Educacional Catavento
. “Adoro museus de ciência e tecnologia. Já visitei alguns na Austrália, na Inglaterra e nos Estados Unidos, mas não exagero nem um pouco em dizer que nunca vi nada igual ao Catavento, no centro de São Paulo. Verdadeiro parque de diversões do conhecimento, merece uma visita para estimular a criatividade. Como o local é muito grande, vale reservar dois dias para conhecê-lo por  inteiro. O site deles é:  www.cataventocultural.org.br”.
Dica de Marcelo Tas, apresentador do programa CQC.


Para descobrir palavras inventadas 
Obra completa de Manoel de Barros.
“Poderia indicar um livro específico do Manoel de Barros, mas, dele, vale a obra completa. É um dos mais criativos poetas brasileiros. Ele inventa não apenas palavras, mas situações enigmáticas que nos oferecem uma infinidade de interpretações. Acho sensacional os nomes que ele dá a coisas que não têm a menor importância para outras pessoas, mas que para ele são um mundo a ser explorado”.
Dica de Elifas Andreato, artista plástico.


Para ouvir o improvável
Ensaio Sobre a Cegueira, CD do grupo Uakti (Universal Music).
A criatividade na música do Uakti começa pelos instrumentos, que são confeccionados pelo próprio grupo mineiro. Eles usam canos de PVC, vidro, pedra, borracha e até água. A curiosa sonoridade era exatamente o que o diretor Fernando Meirelles imaginava para a trilha de seu filme Ensaio Sobre a Cegueira (2008). Veja o que ele escreveu no blog oficial da obra: “A ideia era trabalhar com timbres desconhecidos, para colocar o espectador num universo sonoro tão novo quanto o mundo da cegueira”. Não deixe de conferir como a escolha foi certeira.


Para andar na cauda do cometa 
O Guia do Mochileiro das Galáxias, livro de Douglas Adams. Este é o primeiro livro de uma série de ficção científica que narra as aventuras de Arthur Dent, um típico cidadão inglês, pelo espaço sideral. Tudo começa quando Arthur descobre que um de seus melhores amigos é, na verdade, um extraterrestre, e que a Terra está prestes a ser destruída para dar lugar a uma via intergaláctica. Os dois conseguem fugir antes da demolição do planeta e, assim, começam uma jornada cheia de fantasia. O autor Douglas Adams concebeu a ideia do livro ao observar o céu estrelado durante uma viagem no estilo mochilão pela Europa, em 1971.


Para um passeio infinito 
Hehkuva
, em www.lehtikuva.fi/hehkuva. A Hehkuva é uma empresa finlandesa que vende imagens. Até aí, nada de novo. A diferença é a forma criativa como organizaram seu site. Nele, você pode viajar sem fim por diversas fotos. Funciona assim: quando você clica na primeira (um Papai Noel, por exemplo), ela vai se aproximando. Então, percebe-se que é formada por várias outras, em mosaico. Ao ir clicando nelas, você “entra” em outras imagens infinitamente. A barba do Papai Noel, por exemplo, pode ser formada por flores, que têm pétalas compostas de fósforos, que têm fumaça feita de estrelas... Impossível não viajar por uns bons minutos nesses universos.


Para entrar na cabeça de outro
Quero Ser John Malkovich
, filme de Spike Jonze, 1999, EUA. Um arquivista que trabalha no andar número 7½ de um prédio descobre atrás de um armário um portal que leva direto à mente do ator John Malkovich, onde se pode ficar por 15 minutos, antes de ser jogado à beira de uma estrada. Não se parece com nenhum filme que você já viu? Era bem essa a intenção dos produtores. Ao mesmo tempo em que diverte, a trama maluca nos faz viajar por conceitos como o ego, a consciência e a percepção sensorial. 


Para construções impossíveis
www.mcescher.com
, site oficial de M. C. Escher. Maurits Cornelis Escher (1898-1972) foi um famoso artista gráfico holandês que costumava brincar com impressionantes efeitos de ilusão de óptica. Invertia perspectivas, criava representações distorcidas e quebrava paradoxos gráficos. O site oficial que preserva a sua memória tem trabalhos de várias épocas da vida do artista. Apesar de ser em inglês, qualquer um pode curtir as figuras impossíveis, que falam por si só. Basta clicar no link “Picture Gallery” (no menu à esquerda) e mergulhar num mundo em que as regras são muito diferentes daquelas a que estamos acostumados.


Para sentimentos coloridos
Flicts, livro de  Ziraldo. Flicts é uma cor que não achava seu lugar na Terra. Nem na caixa de lápis de cor, nem nas bandeiras dos países, nem no arco-íris. Um dia ela sumiu. O que ninguém sabia (a não ser os astronautas) é que, de pertinho, a cor da Lua é Flicts. Essa é a história do livro de estreia de Ziraldo, que completa 40 anos. Pode parecer uma piração, mas quando Neil Armstrong, o primeiro homem a pisar na Lua, esteve no Brasil, foi apresentado ao livro e afirmou categoricamente: o satélite da Terra é mesmo Flicts!

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