Droga Raia

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Piquenique

Texto: Claudia Carmello // Foto: Daniela Toviansky
Piquenique
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Ele faz parte do nosso imaginário. A toalha de xadrez vermelho e branco estendida na grama, a família ao redor, repartindo as comidinhas da cesta de vime. Uma coisa assim, à moda antiga, dessas que guardamos na memória mesmo sem ter vivido. Porque, à moda de hoje, o piquenique carece de falta de objetividade. Não é bem um passeio, nem uma refeição. Dá trabalho carregar tudo, e quem tem uma cesta em casa nesses dias? Ultimamente, até o tempo livre tem de ser prático. Pois olha que outro dia me peguei romântica, querendo fazer um piquenique a dois. Mãos à obra, providenciei toalha vermelha (xadrez não tinha) e cestinha. Enchi-a com pães, queijos, patês, frutas, um vinho. Desembarcamos num parque cheio, domingo à tarde. Escolhido o gramado, onde estava a coragem de armar o banquete? Tivemos vergonha de parecermos farofeiros com nossas florzinhas e taças de vidro. Mas foi só nos sentarmos descalços sobre a toalha... E estávamos prontos para beliscar os pãezinhos, falar, recostar-se na árvore pra ouvir os passarinhos, um brinde, as cócegas na sola dos pés massageando a grama. Tão natural, tão bom. Não foi mesmo um passeio. Nem bem uma refeição. O piquenique foi uma festa.

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