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Plantas interativas

Num jardim, nós as contemplamos, estáticas e belas. Mas algumas, especiais, são irresistíveis de tocar. Plantinhas como o dente-de-leão, quase uma erva daninha nascida entre a grama, com flores que parecem bolas de algodão. Arranca-se com todo o cuidado o caule, para não desfazer a arquitetura redonda. E então, a favor do vento, enche-se os pulmões de fôlego e num sopro só se espalham os pistilos brancos, como se fossem bolhas de sabão. Outras, como o rabo-de-gato, vermelho e peludo, parecem pelúcia quando esfregados de leve na bochecha — e nos fazem subir os ombros, como um arrepio em reação à gostosura. Para a maria-sem-vergonha, o caso é ter olho para achar, sob as folhas, um casulo verde. Quando gordo, basta um apertãozinho com o dedão e o indicador para que a casca exploda num “ploc” inaudível, enrole-se em si mesma e as sementes se espalhem na terra. E a dormideira, cujas folhas se encolhem num toque, se defendendo de nossas gracinhas? Tem também as de aflição, como as plantas carnívoras. A gente sabe que ela não vai engolir o dedo, mas a agonia de hesitação antes de tocar sua flor-boca é boa de sentir. Sem judiação, experimente interagir com as plantas. A sensação é deliciosa.

















































