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Princesa Lia

Lia gosta de cuidar dos outros. Aos 9 anos, é a professora para as primas, quando finge, na lousa do quarto, que está na escola ensinando matemática, que adora. Faz a mãe, quando brinca de casinha. Filha única, adota as crianças mais novas como se fossem suas irmãzinhas. Trata do gato, o Mimi-Peludinho, com todo jeito (mas queria mesmo era um coelho de olhos vermelhos). Quando crescer, será médica. Ou juíza, profissão que descobriu existir vendo novela – e se identificou muito, porque também é uma maneira de fazer o que é certo e bom para as pessoas. Olhando assim, Lia tem jeito de princesa. Como as de desenho animado: suaves, lindas e boazinhas. Sua preferida é Cinderela – porque é a mais bonita e usa um vestido rosa. Quase todas as suas roupas (e lençóis, paredes do quarto, maquiagens, pulseiras, brinquedos) são da mesma cor de flor. Lia mesma escolhe o que vestir. E nunca esquece o perfume, uma lavanda trazida do Piauí, seu estado natal, que os adultos insistem em fungar no seu pescoço. “Ah, Branquinha, que cheirosa...”, os grandes dizem, estalando beijos em suas bochechas. Suas Barbies também são assim, chiques. Viajam, vão a festas, papeiam com as amigas. “Minha preferida é a Barbie Praia”, conta. Mas que não se imagine que essa princesinha é impecável dentro de casa. Lia corre. Nas ruas de seu bairro, na cidade de Teresina (PI), joga queimada, basquete e futebol com a melhor amiga, Fernanda. A não ser por picada de cobra venenosa, não tem medo de nada. Dorme sozinha, no escuro, porta fechada. “É tudo lenda”, desdenha dos monstros. Gosta de coisas de adulto, como histórias de amor, músicas sobre corações partidos e filmes como O Caçador de Pipas. Chora, sensível pela perda dos outros, mesmo sem entender direito ainda como pessoas se desencontram. Há nove meses, Lia trata sua leucemia no GRAACC. Comprar Sorria* é cuidar dessa garotinha e de muitas outras, para que no futuro elas cuidem de nós. Obrigada.

















































