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Sob o brilho da noite

Um dos meus passatempos favoritos na infância era encontrar figuras nas nuvens. “Olha aquela ali, parece um elefante.” Qualquer tempo disponível que eu tinha, gastava com céu. Lá pelos meus 9 anos, vi um aviso sobre um planetário que seria montado na escola em que eu estudava. Curiosa, comprei o ingresso. A coisa era meio improvisada: uma lona prateada inflada como um balão, onde, por uma frestinha, as crianças entravam. Naquela bolha, constelações e planetas eram projetados enquanto um professor de astronomia fazia explanações. Mambembe, o espetáculo bastou para levar meu interesse das nuvens às estrelas. Quando anoitecia, lá ia eu deitar no quintal para tentar ligar os pontinhos e montar os desenhos sobre os quais havia aprendido. Até hoje o céu me encanta. Eu volto sempre para casa de olho no alto. Quando vejo que só tem uma estrela brilhando na imensidão negra, faço um pedido. Um dia, indo para a praia com meu namorado, um céu incrivelmente luminoso se abriu. Naquela noite, a minha vontade era de dormir na varanda. De volta a São Paulo, ainda empolgados, decidimos visitar o planetário do Parque do Ibirapuera. Além da gente, não havia nenhum outro adulto desacompanhado de criança. Mas logo vimos que os deslocados não éramos nós. E sim quem cresce e se esquece da graça que tem encantar-se com o céu.


















































