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Sol feliz, agora

Experimente passar o dia deitado na cama, coberto com uma manta e com a janela aberta na medida para que o solzinho de inverno aqueça seus pés. Você não seria mais feliz com mais dias assim? Pois tomar sol pode mesmo trazer felicidade. É o que defende um estudo feito em mais de 65 países encomendado pela revista científica norte-americana New Scientist. A pesquisa considerou os habitantes da Nigéria como os mais felizes do mundo. Mesmo com um Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) dos mais baixos do planeta, com sucessões presidenciais turbulentas e um poder de compra per capita pífio? Sim, mas eles têm sol. Há outros fatores apontados no estudo para explicar a felicidade de uma nação. O Sol é dos principais – o segundo e o terceiro países mais felizes, México e Venezuela, também ficam nos trópicos. O Brasil não foi pesquisado.
Em termos bioquímicos, o Sol traz mesmo bem-estar. Segundo o psiquiatra Leonardo Gama Filho, quando há muita luminosidade, nosso corpo reduz a liberação de melatonina – um hormônio produzido durante o sono e que nos faz sentir cansados. “A luz ainda estimula a fabricação de serotonina, um neurotransmissor que controla o apetite, o humor, a energia e nosso bem-estar mental”, diz.
“Dá pra sentir a diferença”, diz a psicóloga tcheca Katerina Lukasova, que mora há dez anos no Brasil. Nove mil e quinhentos quilômetros a separam de sua fria terra natal. E ela jura que jamais deixou de reparar, desde que saiu de seu país, em como “acordar com o sol batendo na janela é bom. “Até meu humor melhorou”, garante. A dermatologista Regina Schechtman fez o caminho contrário: morou em Londres por um tempo. “Lá, quando chega o verão, as pessoas aproveitam até o horário de almoço para correr aos parques e pegar um sol”, diz. No Brasil, ninguém sente necessidade de fazer isso: “Você sai de casa e já está exposto aos raios solares”, avalia. Engrossa o coro o alemão Jan Fritz. Ele passou um ano estudando em Salvador, na Bahia, e acha que a fama de mal-humorados de seus conterrâneos é culpa do frio. “A gente só tem três meses de verão, que é a única época em que o Sol aparece pra valer. O resto do ano é inverno, quando nos isolamos em casa, sem fazer nada”, diz.
Sol de leve, para todos
E os alarmantes malefícios da radiação solar – câncer de pele, envelhecimento, manchas? Vamos com calma. Observações médicas mais recentes indicam que os benefícios dos raios solares superam seus estragos. Claro que ninguém deve esquecer o filtro solar, diariamente. Mas o Sol é necessário em todas as fases da vida. Expor-se a ele (não ficar horas se bronzeando) faz bem para os ossos, fortalece o sistema imunológico e regula a pressão arterial. E pode até prevenir alguns tipos de câncer (como os de mama, próstata e pulmão) e depressão.
A luz estimula a fabricação de serotonina, que controla o apetite,
o humor, a energia e nosso bem-estar mental
Aos bebês, por exemplo, um rápido banho de Sol é essencial. “Se possível, diariamente, antes das 10 da manhã ou depois das 4 da tarde, com duração de minutos”, defende Regina. Esses poucos minutos valerão, no futuro, por uma porção de vitaminas. Que farão diferença para a irrigação do sangue em áreas em que o bebê tanto necessita: no cérebro e em outros órgãos vitais.
É bom insistir nesse solzinho também na velhice. “É nessa época da vida que expor uma parte do corpo à luz do Sol, cinco minutos por dia, faz uma bela diferença”, diz a dermatologista. A diferença se chama, principalmente, vitamina D. Pesquisadores noruegueses e americanos compararam os níveis dessa vitamina no sangue de habitantes de vários países e constataram que onde se recebe menos insolação se tem menos vitamina, e a incidência de tumores malignos dobra. A substância ainda aumenta a absorção de cálcio pelos ossos, evitando a osteoporose, e fortalece o sistema imunológico, diminuindo o risco de infecções dos mais velhos.
Mais saudável, mais feliz, só falta o Sol deixar mais bonito. Até deixa. A gente e todo o resto em volta. Repare em como tudo fica dourado quando passamos o dia todo deitados na cama, cobertos com uma manta, e a janela...

















































