Droga Raia

Twitter Facebook Flickr Orkut Delicious RSS
dê uma nota para esta matéria:
Compartilhe:

conviver

Tão longe, tão perto

Às vezes, temos de nos separar de quem amamos. Mas não precisa ser o fim. Conheça uma família, duas amigas e um casal que se mantiveram unidos a quilômetros de distância
Texto: Cristina Casagrande // Ilustração: Catarina Bessel
Tão longe, tão perto
AumentarDiminuir

Eliane Ketelhuth, de 53 anos, e seu marido, Francisco, de 62, estão acostumados a conviver com a saudade. Assim que completou 13 anos, o filho Daniel foi morar a 60 quilômetros de casa. A decisão foi tomada pelo próprio casal. Moradores da pequena Icém (SP), com menos de 8 mil habitantes, eles acreditavam que o jovem teria uma educação melhor se fosse para São José do Rio Preto (SP).

O investimento deu certo, e o filho foi cada vez mais longe, na carreira e no mapa. Terminado o colégio, Daniel entrou na faculdade de Farmácia em Ribeirão Preto (SP), duas vezes mais distante. Formado em 2005, ele atravessou o ocea­no com a mulher, Solange, para morar em Estocolmo, na Suécia, onde dá aula no Instituto Karolinska, uma das melhores universidades médicas da Europa.

A saudade apertou ainda mais há um ano e meio, com o nascimento de Alícia. “Sentimos falta de dividir com os avós o crescimento da nossa filha”, diz Solange. “Queremos voltar ao Brasil, mas depende das oportunidades de trabalho”, avalia.

Enquanto isso não acontece, eles fazem o que podem para a família do outro lado do Atlântico não perder as aventuras da menininha. A solução que arranjaram foi gravar diversos vídeos e publicá-los na internet. Eliane e Francisco se emocionam ao ver a pequena dançando pela casa, comendo, falando suas primeiras palavras, apresentando-se nas festas da escolinha e fazendo todo o tipo de graça. “Assisto muitas vezes a cada vídeo, quase diariamente”, conta a avó.

Além disso, todo domingo, depois do almoço, Eliane e Francisco sentam-se em frente do computador e conversam com Daniel, Solange e Alícia por mais de uma hora, usando um programa que permite a troca em tempo real de som e imagem, o Skype. Professora “do tempo do mimeógrafo”, Eliane aprendeu a usar o computador há alguns anos, por exigência do trabalho, e se sente à vontade com a tecnologia. “Batemos papo como se eles estivessem aqui conosco”, conta.

Próprio punho

Em 1995, quando desfez as malas da mudança de Santos (SP) para São Paulo, Maria do Carmo Rodrigues, hoje com 62 anos, não tinha computador nem telefone. Mas isso não a impediu de mandar notícias à amiga, Marli Bertezini, de 65 anos. Bastaram-lhe papel e caneta.

Maria do Carmo mudara-se para Santos em 1992. No caminho para levar o filho ao colégio, ela passava em frente a uma loja de roupas. Uma simpática vendedora costumava estar à porta, e as duas começaram a trocar “bom-dia”. Até que a cordialidade virou amizade.

Três anos depois, porém, Maria do Carmo teve de voltar à capital. E a carta que então mandou à amiga acabou dando origem a um hábito. Elas trocam correspondência uma vez por mês. As mensagens costumam ter três páginas, descrevendo em detalhes acontecimentos, alegrias e preocupações do dia a dia.

Foi assim que Maria do Carmo ficou sabendo do casamento dos filhos de Marli, do nascimento dos seus netos e de como a amiga se recuperou de um AVC. “Quando chega o carteiro, eu já fico toda animada. Pelo papel, transmitimos melhor nossos sentimentos”, diz Maria do Carmo. “O trabalho é dobrado, porque, antes, faço sempre um rascunho”, conta Marli. “Mas nunca deixei de responder às cartas dela. É a melhor amiga que já tive.”

Objetividade e amor 

A distância não acabou com a amizade entre Maria do Carmo e Marli. Muito menos com o vínculo entre Eliane, Francisco e Daniel. Mas e um casamento? O que é preciso para que duas pessoas, separadas por centenas de quilômetros, continuem sendo marido e mulher?

Nancy e Elmo Julio, de 59 e 62 anos, respectivamente, descobriram uma resposta para essa pergunta. Ambos moravam em Brasília, onde tinham uma loja de cartuchos para impressora. Mas perceberam que, para oferecer as condições de vida que sonhavam aos filhos, Ana Luiza e Pablo, seria preciso ampliar o negócio. Então abriram uma filial em Belo Horizonte, cidade natal do casal. E decidiram que Elmo iria para lá, a fim de cuidar de perto do novo negócio.

Assim viveram de 1997 a 2007. Pablo ficou com a mãe. Em 1999, ao passar no vestibular na capital mineira, Ana Luiza juntou-se ao pai.

Nancy e Elmo se falavam diariamente por telefone ou e-mail e se viam todo fim de semana. “No começo não tínhamos dinheiro para passagem aérea, então íamos de ônibus. Era cansativo, mas superávamos”, conta Nancy.

Em 2007, Elmo enfrentou problemas de saúde, e o casal decidiu voltar a dividir o mesmo teto. No ano passado, eles  venderam a empresa. Agora, só pensam em aproveitar o tempo juntos, enquanto se orgulham da carreira que os filhos têm construído: Ana Luiza, de 29 anos, é dentista, e Pablo, aos 32, após estudar na Espanha, abriu uma empresa de design. “Acreditamos que nosso empenho contribuiu para que a vida deles seja mais fácil do que a nossa”, reflete a mãe.

O objetivo em comum, em nome dos filhos, foi crucial para que Nancy e Elmo superassem o desafio a que se propuseram. Mas não só isso. Como todas as pessoas que sabem se amar a distância, sejam casais, famílias, sejam amigos, eles descobriram que o que mantém a união é algo espontâneo, simples e poderoso: a vontade de compartilhar nossa vida com quem nos é especial.

dê uma nota para esta matéria:
Compartilhe:
Envie seu comentário:
Nome (preenchimento obrigatório)
E-mail (preenchimento obrigatório, mas não será publicado)
Website
Realização:
Patrocínio:
Instituições beneficiadas:
Medley P&G Kimberly-Clark Reckitt Benckiser EMS
EDITORA MOL Rua Andrade Fernandes, 303, sala 3, Alto de Pinheiros, São Paulo / SP | Email: contato@revistasorria.com.br | Telefone: (11) 3024-2444
2009 - 2010 Editora Mol. Todos os direitos reservados