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Tempo de verão

Há quem passe o ano todo aguardando o calor chegar. De mansinho, o sol começa a se esgueirar pelos dias, as manhãs ficam mais quentes, e, de repente, o fim do ano chegou e trouxe com ele o verão. Quando o astro-rei brilha para valer, só dá vontade de uma coisa: ir pra rua e abraçar a liberdade que só esses dias mais longos oferecem.
Envolventes, as manhãs ensolaradas convidam a esquecer a rotina e as preocupações. É o momento de aproveitar a brisa leve, se jogar na areia fofa da praia ou se esbaldar na água fresca. E, como calor é energia, a estação é só motivos que botam braços e pernas para trabalhar. Os exercícios ao ar livre mantêm o coração nos trinques, fazem a gente dormir melhor, dão-nos mais disposição e alegria (há quem diga que são os íons liberados pelo calor que deixam as pessoas mais felizes no verão, sabia?).
Somos abençoados por um país tropical, cheio de belezas naturais, de sol e mar. É só pegar essa paisagem de tirar o fôlego, misturar com um punhado de verão e pronto! Surge a combinação perfeita para juntar os amigos, inventar brincadeiras e mergulhar de cabeça na alegria que a estação mais divertida do ano oferece.

Napoleão Cronemberguer e sua esposa, Cristina, no Rio de Janeiro: o frescobol é na praia e eles estão sempre na areia // Foto: Anna Fischer
Frescobol é o meu negócio
Para que Napoleão Cronemberger aprendesse a jogar frescobol, ele precisou ser forte. Afinal, tinha de empunhar raquetes de madeira de mais de meio quilo e descascar com lâmina de barbear o tecido de bolas de tênis para iniciar suas partidas. Há 30 anos, quando o corretor da bolsa de valores começou no esporte, nas areias de Copacabana, só ele e meia dúzia de amigos sabiam o que era frescobol. Viraram pioneiros do esporte que nasceu nas praias cariocas, na década de 1940. “O jogo é baseado na parceria. A dupla deve rebater a bolinha, sem deixá-la cair, cada vez com mais força”, ensina o jogador carioca, hoje com 65 anos. Napoleão levou tão a sério a parceria do jogo que transformou sua dupla em companheira de vida. Casou-se com Cristina, de 59 anos, e, juntos, ensinaram o que sabem ao filho. “Precisão e reflexo fazem os jogos durar mais. É difícil uma partida com mais de dois minutos, mas já fiquei até quatro jogando com o meu filho, sem parar”, conta Napoleão. “A praia toda parou para ver.” Para observar Napoleão jogando assim – hoje em dia, com bolinhas especiais e raquetes de cerca de 300 gramas –, basta dar um pulo em Copacabana. Aos fins de semana, Napoleão está sempre lá, raquete em mãos e olho na bola. “Eu respiro frescobol.”

Foto: Carlos Zaith
Bom pra cachorro
Aos 3 anos, Zidane é apaixonado por esportes radicais. Uma vez por mês, ele se joga nas corredeiras do rio Jacaré-Pepira, em Brotas (SP), e sente toda a adrenalina da descida de rafting. Fica na frente do bote, com olhos bem atentos a qualquer movimento das águas. E não pense que Zidane é muito novo para isso. Afinal, ele é da raça border collie, e esse rafting aqui é para cachorro. Quando o cãozinho tinha 1 ano, sua dona, Deliana Tessari, de 29 anos, viu em Brotas, onde mora, um anúncio da modalidade. E resolveu levar seu melhor amigo para conhecê-la. “Experimentamos por curiosidade. Mas o Zidane gostou tanto que eu decidi levá-lo sempre!”, conta a gerente administrativa. Ela já tinha feito rafting, mas sem seu cachorro. Agora, não quer nem saber de deixá-lo latindo sozinho em casa na hora de descer o rio. E olha que o rafting é um esporte radical. Para descer trechos de fortes corredeiras em botes infláveis, é necessário uma equipe de remadores. Mas, no caso do rafting para cachorro, a aventura é mais leve. O trecho onde Deliana pratica o esporte – o alto do Jacaré-Pepira – é o mais calmo do rio. Acompanhado pela dona, Zidane fica o tempo todo preso pela coleira, seguro. No meio do caminho, eles ainda param em uma prainha, onde podem brincar na areia e, Zidane, mergulhar. “Na primeira vez em que viemos, ele ficou assustado com a água. Mas acabou pulando no rio, e foi assim que aprendeu a nadar”, lembra Deliana. Em Brotas, o esporte de contato com a natureza e com os animais de estimação é incentivado por algumas empresas, e o verão é o momento de maior procura. Para poder levar o cachorro, é preciso que ele goste de água, seja dócil e esteja com as unhas aparadas – para não rasgar o bote e afundar a equipe. E é possível fazer os trajetos com crianças, amigos e até com outros cachorros. Deliana, no entanto, prefere navegar somente com Zidane. “Esse é um momento que reservo apenas para nós dois”, diz.

A dupla Rafael Arnoni (em cima, à esquerda) e André Pacheco contra Ricardo Pizcioneri (em cima, à direita) e Pedro Giunti: Vale tudo na hora de derrubar os concorrentes // Foto: Rogério Cassimiro
Perdeu, tchibum!
Vale tudo: segurar os braços do adversário, chutar suas pernas, empurrá-lo para trás, fazer cócegas. O objetivo é derrubar o concorrente do jeito mais rápido, criativo e engraçado possível. E o melhor é que, dentro da água, onde se encontram os rivais da brincadeira chamada briga de galo, a queda é sempre leve. E arranca gargalhadas de quem assiste aos tombos aquáticos. Mesmo assim, existem algumas regras. Para jogar, dentro da piscina (ou do rio, ou do mar), formam-se duas duplas. A pessoa mais leve de cada equipe sobe nos ombros da mais pesada e usa os braços para tentar derrubar os oponentes. Mas as estratégias não param por aí. O paulistano André Pacheco, de 22 anos, que gosta de fazer o papel de base da dupla, revela as táticas “de guerra” que criou para a brincadeira: “O legal é chutar o adversário, que também está com a maior parte do corpo dentro da água, como eu. Se conseguir fazê-lo escorregar, o jogo está ganho”, diz o estudante. Nos ombros, ele carrega o amigo Rafael Arnoni, de 22 anos, que dá outra dica para ser um “galo” vencedor: “O segredo é usar a força do rival a seu favor e, assim, desequilibrar quem está embaixo”. A briga de galo faz parte da sua lista de brincadeiras de verão desde que Rafael tinha 12 anos, quando viu pessoas brincando em um clube. Antes disso, já brincava de pega-pega, queimada e até vôlei dentro da água. Com André, a soma de experiência e técnicas os torna imbatíveis na brincadeira. Com o esforço em equipe que demanda os braços de um e as pernas do outro, a dupla se desloca pela piscina como um gigante de quase 4 metros, em busca do próximo adversário disposto a ir por água abaixo.
















































