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Terapia para quem precisa

É como atravessar um túnel. Ao redor, você enxerga cenas de sua vida sob ângulos inéditos. Então percebe como acontecimentos do passado influenciam seu presente, e como o agora pode moldar o amanhã. Um guia o ajuda na jornada, permitindo que você entenda como pensa, age e se relaciona. Assim, você pode mudar o que não gosta e se tornar alguém melhor.
Essa é uma boa metáfora para a psicoterapia. Comumente chamada apenas de terapia, ela ainda é vista por muitos como um tratamento restrito a problemas mentais graves, como a esquizofrenia e a depressão. Mas, na verdade, ela é útil a qualquer pessoa que busca o autoconhecimento e o equilíbrio emocional.
O que incomodava a publicitária e escritora paulistana Gisela Rao, de 44 anos, era a baixa autoestima. Ao procurar ajuda profissional, gostou tanto que virou hábito. “Já faço há quase dez anos. Hoje, conheço mais a mim mesma e aos outros, sou mais madura, confiante e feliz”, afirma. Para a psicanalista Dorli Kamkhagi, a viagem vale para pequenos e grandes problemas. “A terapia é útil, sobretudo, em momentos de transformação pessoal, como a adolescência e o envelhecer. Mas também ajuda a enfrentar crises pontuais, como mortes e separações.”
Um divórcio desgastante foi o que levou ao divã a administradora de empresas Patrícia Santos, de 30 anos, de São Bernardo do Campo (SP). “Precisava de alguém isento para me ajudar a colocar os pensamentos no lugar”, conta. Esse é um dos principais trunfos da terapia: a distância que o profissional mantém do paciente. Diferentemente de um amigo, ele enxerga as questões sem envolvimento emocional, abrindo caminhos para novas interpretações. A ética garante o sigilo e os anos de estudo, a qualidade do tratamento.
A terapia pode ser conduzida por psicólogos, psicanalistas ou psiquiatras. Os primeiros são graduados em psicologia, capacitados em diferentes abordagens. Já os psicanalistas se dedicam à vertente criada pelo neurologista Sigmund Freud. Os psiquiatras, por sua vez, são médicos especialistas em saúde mental. Há várias linhas de terapia, mas, de forma geral, todas utilizam a conversa como método. Para escolher a que mais tem a ver com você, o ideal é testar. Conheça a seguir algumas das mais populares.
Psicanálise
É fundamentada na teoria do austríaco Sigmund Freud (1856-1939). Utiliza o divã para que não haja contato visual entre terapeuta e paciente, a fim de que a pessoa se sinta livre para divagar. O tratamento tem longa duração e busca trabalhar todos os conflitos emocionais.
Terapia junguiana
O suíço Carl Gustav Jung (1875-1961) acreditava no inconsciente coletivo: as pessoas agem e sentem de acordo com arquétipos comuns, ou seja, predisposições para simbolizar situações universais, como o casamento, a morte etc.
Terapia lacaniana
Para o francês Jacques Lacan (1901-1981), o que importa não é exatamente o que o paciente diz, mas como diz. Atos falhos e frases inacabadas abrem espaço para a análise dos sentimentos.
Terapia reichiana
Prega a inseparabilidade entre corpo e mente: as repressões e as angústias sofridas pelo indivíduo refletem-se não só no plano psicológico como também no físico. É baseada no trabalho do psicólogo austríaco Wilhelm Reich (1897-1957).
Terapia breve
Focada em um problema, dura cerca de seis meses. É empregada nas questões do “aqui e agora”, como angústias por problemas financeiros, traumas etc.
Terapia cognitiva-comportamental
É adotada em casos de fobias, angústias generalizadas, pânico e estresse. Busca analisar as relações cotidianas para eliminar a origem dos conflitos.
Terapia familiar
Trata de questões como dificuldades entre pais e filhos. O atendimento pode ser individual ou coletivo. Uma das técnicas é a inversão de papéis, para que um familiar se coloque no lugar do outro.
Terapia de grupo
Bastante usada em casos de compulsões e vícios, faz com que as pessoas lidem com seus problemas ao ouvir depoimentos de outras nas mesmas condições.
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