brincar {eu amo...}
Tomar banho de chuva

“Quando os pingos d’água despencam incessantes lá de cima, eu não me escondo: deixo molhar meu rosto. Fecho os olhos e é como se voltasse a ter 10 anos de idade e uma porção de amigos ao redor querendo a mesma coisa que eu: jogar bola em meio ao chuvisco. Por isso eu amo tomar banho de chuva. Pra mim, ela tem gosto de infância. Cada gota que cai em São Paulo traz a chance de refrescar a memória dos tempos de criança em Foz do Iguaçu, onde nasci e cresci. No condomínio em que morava existiam dois prédios. No vão entre eles, uma quadra. Da janela do quarto dava pra ver: cimento batido, traves, linhas, arquibancada... A molecada toda se conhecia, e eu era o caçula na roda de amigos-quase-irmãos. Criamos uma regra: se chovesse, era hora de pelada lá embaixo.
E o cheiro de chuva, aquele que o vento sopra gelado, sinalizava passe livre para nós. Tudo meio improvisado, inclusive a bola, trazida do vizinho Paraguai. Nem tínhamos posições definidas em campo. O mais importante era deixar a bola rolar e correr pra abraçar a chuva. A mesma sensação de liberdade eu experimentava quando levava os turistas da família pra ver as cataratas, nosso cartão-postal. Capa de chuva? Pra quê? Bom mesmo era se molhar na poeira de água ao pé das fontes. E sabe que a garoa paulistana é até parecida com aquela névoa molhada respingando das cachoeiras? Experimente fechar o guarda-chuva pra ver.”
*Marcelo Cobra tem 20 anos, é estudante de jornalismo e acha que chamar São Paulo de Terra da Garoa é um elogio

















































