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Toque de amigo

“Você é uma pessoa muito explosiva.” Essa foi uma das frases que o gerente de logística Maurício Nascimento, de 35 anos, ouviu durante uma reunião na companhia em que trabalha, a empresa de tecnologia Siemens, em São Paulo. Em seguida, veio uma sugestão: que tal relaxar praticando uma atividade lúdica nas horas livres? Foi assim que ele descobriu o que hoje em dia é uma de suas maiores paixões – a fotografia. Sempre que pode, viaja para uma cidade vizinha ou leva os filhos para um passeio no parque e, entre um clique e outro, aproveita as paisagens para esvaziar a mente. Com o hobby, tornou-se mais tranquilo, o que se refletiu no seu dia a dia profissional.
Essa transformação só aconteceu porque a empresa de Maurício valorizou um processo fundamental para o aprimoramento dos funcionários: a avaliação. “Trata-se de uma ferramenta imprescindível para melhorar nosso desempenho, tanto no âmbito profissional como no pessoal”, diz a psicanalista Cora Ferreira. E não é difícil entender por quê. Não basta motivação para nos tornarmos pessoas melhores. Precisamos também de orientação. Assim como na época das provas da escola, é necessário saber o que estamos fazendo de errado, para não repetir, e em que pontos estamos acertando, para nos aperfeiçoar ainda mais.
Claro que não é fácil. Chamar um colega para conversar e apontar seus defeitos implica vencer uma pesada inércia. Muito mais confortável é evitar esse momento, sujeito a constrangimentos e discussões. Mas empurrar os incômodos para debaixo do tapete – ou, pior, fazer as críticas só pelas costas – é que traz grandes problemas, que no fim afetam toda a equipe.
Do caos à integração
Foi o que aconteceu no fórum de São Paulo em que trabalha a advogada Luciana Zanatta, de 39 anos. “Cada um fazia sua parte sem conversar com o colega. Cumpríamos tarefas mecanicamente. As pessoas se tratavam mal, os processos atrasavam, a papelada era toda desorganizada, até o lugar era sujo”, lembra. Assim que um processo era encaminhado para lá, os advogados envolvidos já entravam com um pedido para que o caso fosse transferido para outro fórum.
Diante da situação caótica, a saída foi chamar uma empresa de consultoria para ajudar a pôr ordem na casa. “Ouvimos as queixas de cada um individualmente. Eles listaram os problemas que tinham com os colegas. A partir das reclamações, procuramos os envolvidos para chegar a acordos”, explica o consultor Mathias Wolff, que trabalhou no caso. Mathias mediava a conversa entre as partes e ajudava a propor uma solução. Quando ambos concordavam, as definições eram colocadas num papel. Até hoje o documento é usado para checar se os colegas estão cumprindo aquilo com que se comprometeram.
A mediação durou um ano. Quando o processo começou, em 2007, o fórum tinha cerca de 12 mil processos na fila de espera. Hoje, estão na casa dos 6,5 mil – e a cada mês chegam mais 500. “Advogados que ficavam até uma hora na fila para ser atendidos hoje não esperam mais do que 10 minutos”, diz Luciana. “Os colegas começaram a se enxergar e a saber do que o outro precisava. Formamos, pela primeira vez, uma equipe”, completa.
A avaliação institucionalizada, como a da empresa de Maurício, ou a guiada por mediadores profissionais, como na história de Luciana, são procedimentos indicados por sua grande eficácia. Mas pequenos costumes diários, a fim de valorizar um diálogo mais franco, trazem resultados significativos. Para começar já, veja as dicas do quadro ao lado. E comprove como é saudável um ambiente de trabalho em que todos se ajudam a ser pessoas melhores.
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Tato crítico Não importa se você trabalha numa pequena empresa ou numa multinacional. Críticas francas e bem-intencionadas – bem como elogios merecidos – são sempre necessárias para aprimorar o trabalho em equipe |
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| • O melhor momento para fazer uma crítica é logo depois da ocorrência do fato que a motivou. Como o acontecimento está vivo na memória, a avaliação se torna mais específica e pode ser mais bem compreendida. • Uma crítica construtiva é aquela que deixa claro qual é o comportamento esperado, como o trabalho está sendo avaliado até o momento, o que deve ser mudado, qual o tempo necessário para que essa transformação ocorra e que tipo de apoio o avaliado dispõe para conseguir melhorar seu desempenho. • Para ser mais claro, dê exemplos. Em vez de: “Você precisa ser mais gentil com os clientes”, é melhor falar: “Não se esqueça de dizer ‘obrigado’ quando entregar o troco”. • Procure entender qual é a dificuldade que impede o funcionário de ter o rendimento esperado. Pergunte-lhe o que está acontecendo. Ajude-o a identificar o problema e a buscar saídas por si próprio. É muito mais efetivo do que impor uma solução. • Mostre evidências de como o problema em questão afeta o ambiente de trabalho e os resultados da empresa. Assim, fica mais fácil para o avaliado entender por que precisa mudar. É fundamental que todas as pessoas envolvidas numa avaliação tenham em mente que estão do mesmo lado, trabalhando por um objetivo comum. |
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