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Túnel do tempo

Feche os olhos e tente resgatar um momento marcante da sua vida pelo cheiro – que permeou a cena, o lugar, a relação com alguém. E não é que somos capazes de acessar (e até de sentir!) de novo o invisível ar do cangote daquele grande amor da escola? E essa memória pode ficar ainda mais forte e colorida se você passar por alguém na rua que use o mesmo perfume. Por um instante, é como se estivéssemos lá, com a cabeça encostada no ombro amado. E faz tanto tempo... Isso acontece porque os cheiros registrados em nossa memória são afetivos, ou seja, fazem com que a gente seja capaz de evocar, mais do que o aroma, toda a cena em que vivemos, explica a neurocientista Suzana Herculano-Houzel.
Para alguns, a fragrância de protetor solar é só agradável. Para mim, é o perfume das férias de verão. O sabonete que limpava a mão do dentista, por melhor que fosse, me provoca calafrios até hoje. “O mesmo cheiro não funciona para todo mundo, porque está associado muito mais às emoções do que à combinação de moléculas que o compõe”, diz Suzana. Seu nariz, quem diria, é um túnel do tempo.


















































