descobrir
Vai passar

O coração dispara, a respiração também. O sangue estufado de adrenalina esquenta o peito e cora o rosto. A garganta dá um nó, a boca seca, o estômago gela. Não, não são os efeitos da paixão, mas de outro sentimento intenso: a raiva. Por causa dela também cometemos gestos impulsivos, mas seus resultados podem machucar. Engoli-la tampouco é saudável: dizem que branqueia os cabelos e dá câncer. Se não se pode ser feliz o tempo todo, então o que fazer para evitar catástrofes nas explosões de ira?
Conheci uma mulher que mantinha um estoque de louças de cerâmica barata. Depois de espatifar uma dúzia delas no chão, sapateando por cima dos cacos, sentia-se melhor. Minha mãe aconselha gritar – não com os outros, mas para o nada. Basta achar uma garagem vazia e soltar o berro trancado. Uma amiga anda na chuva. Na falta de tempestade, senta embaixo do chuveiro, roupa e tudo, até esfriar a cabeça. Outra corre horas, para a raiva virar suor. Eu escrevo cartas furiosas – e, quando acabo de pôr tudo pra fora, nem preciso enviá-las: passou. Uma turma nostálgica tem saído no braço.
É a do World Pillow Fight, o movimento mundial de guerra de travesseiros, que reúne pessoas para lutar entre penas e espumas – o Brasil tem muitos adeptos (descubra em pillowfightbrasil.wordpress.com). Qualquer que seja a receita, a ideia é evitar a briga, clarear a vista... e voltar a rir. Nem que seja de si mesmo.


















































