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Viver de rir

Está comprovado: bom humor e otimismo vacinam contra todo tipo de doença. De quebra, melhoram o funcionamento do corpo, reduzem a dor e deixam a vida mais colorida
Texto: Juliana Parente // Ilustração: Adriana Komura
Viver de rir
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Ele combate a depressão e o estresse, diminui a pressão arterial, melhora a digestão, desintoxica o organismo, espanta a dor e até deixa a pele mais bonita. Além disso, fortalece a imunidade, previne doenças e ajuda a curar o que não vai bem. Não tem efeitos colaterais, não precisa de receita, é de graça. Nem desconfia de qual remédio faz tudo isso por você? Pois pare de franzir a testa e solte uma boa gargalhada, que o milagre está feito.

“O riso nos transforma”, afirma o professor Luiz Gonzaga Leite, chefe do setor de psicologia do Hospital Santa Paula, em São Paulo. A alegria estimula o cérebro a liberar endorfina e serotonina, os neurotransmissores responsáveis pela sensação de bem-estar. Correndo pelo sangue, essas substâncias diminuem os riscos de infarto e outros problemas do coração e aumentam a produção de células de defesa. “Assim, vírus e até tumores são combatidos com mais eficiência”, diz.

“Quando sentimos raiva, nosso corpo responde liberando dois hormônios: estradiol e adrenalina”, explica o cardiologista Otávio Gebara, do Instituto de Cardiologia de São Paulo. “Juntos, eles enfraquecem o sistema imunológico. Isso abre as portas para o surgimento de doenças e atrasa a recuperação de quem já está debilitado”, conta. O que não significa, no entanto, que a solução para manter a saúde tinindo é engolir sapos ou fingir que os problemas não existem. Na verdade, é justamente o contrário.

“Cultivar o bom humor é uma filosofia de vida”, afirma a psicóloga Maria de Fátima Nogueira, professora da Faculdade de Ciências da Saúde de São Paulo. Ela começa por reconhecer as emoções, boas e más, e respeitá-las. “Ou seja, pare de se bloquear para viver melhor.” A apresentadora Letícia Henrique que o diga. “Sempre sofri com enxaquecas terríveis, que tratamento nenhum resolvia. Demorou para um médico identificar o problema: era emocional, fruto de broncas que não soube soltar”, conta.

Depois de encarar os sentimentos, vêm os limites. A gente pode determinar o que tem ou não o direito de nos tirar do sério. É o que Letícia tenta agora. “Passei a olhar minha vida como um seriado de TV engraçado. Há conflitos que vão acontecer, a gente queira ou não”, conta. “Hoje escolho com o que me preocupar – e tem dia que decido não me abalar com nada. Resultado: sem toda aquela adrenalina, raramente tenho dor de cabeça.”

Mudar o olhar para a vida não é fácil, mas dá pra treinar. Se o engarrafamento é inevitável, vale a pena perder a cabeça? Pode ser o tempo para ouvir música, conversar, pensar na vida... Parece ingênuo recomendar que se procure uma saída ou o lado bom das coisas, mas essa atitude ajuda a manter a serenidade. De mais a mais, é preciso encontrar o que faz bem. “A simplicidade é o melhor caminho”, diz a psicóloga Maria de Fátima. Dormir melhor, caminhar por uma praça, estar com amigos... “Conhecer a si mesmo e desvendar o que dá prazer leva naturalmente ao sorriso.”

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